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Preso, torturado e morto na Coreia do Norte: 5 fatos sobre Otto Warmbier

As narrativas dos EUA e Coreia se confundem e não são conclusivas a respeito da intensa saga do jovem detido no país asiático

Caio Tortamano Publicado em 27/07/2020, às 17h00

Foto de Otto tirada na Coreia do Norte
Foto de Otto tirada na Coreia do Norte - Wikimedia Commons

1. Viagem

Na virada do ano de 2015 para 2016, Otto Warmbier tinha planejado uma viagem para Hong Kong, e decidiu passar pela Coreia do Norte para ver como eram as festividades de Ano Novo no lugar. Para isso, contratou uma empresa de viagens chamada Young Pioneer Tours, cujo slogan era “destinos que sua mãe provavelmente não gostariam que você fosse”. Entretanto, a empresa afirmou que a viagem era segura para turistas americanos.

otto (ao centro, de jaqueta jeans) com seu grupo de turistas / Crédito: Divulgação/ Youtube

 

Com outros 10 estudantes americanos, ele pegou um voo de Pequim até a Coreia do Norte no dia 29 de dezembro de 2015. Participaram das festividades mantidas na praça Kim il-Sung antes de voltarem para o Yanggakdo International Hotel, onde estavam hospedados.


2. O furto

De volta ao hotel, os jovens começaram a consumir álcool, e as boas ideias começaram a dar espaço para atitudes mais arriscadas. Na madrugada de primeiro de janeiro, depois de muita bebida, Warmbier supostamente tentou furtar um pôster de propaganda do governo em uma área que a entrada era restrita para funcionários.

A peça continha a mensagem “Vamos nos armar fortemente sob o forte patriotismo de Kim Jong-il” — pai do atual líder supremo do país, Kim Jong-un. O que o americano provavelmente não sabia era que danificar ou roubar itens com nome ou imagem de um líder norte-coreano é uma ação de grande ofensa, além de ser considerado crime.


3. Prisão

Depois do ocorrido, Otto foi abordado no aeroporto internacional de Pyongyang pouco antes de embarcar de volta para Hong Kong. Dois guardas chegaram ao seu lado e começaram a guiá-lo para fora do local, ele não se mostrou preocupado com a ação. Seu grupo foi informado no avião por um policial que afirmou: “Otto está doente, e foi levado para um hospital”.

A agência de notícias estatal da Coreia do Norte, a KCNA, afirmou inicialmente que ele teria sido detido por conta de atos hostis contra o estado, sem dar mais detalhes. As únicas informações que viriam a ter foram no fim de fevereiro, depois que Otto veio a público em uma coletiva de imprensa para afirmar que tinha tentado roubar um pôster de uma área restrita. A mídia americana e internacional notou a evidente pressão que Warmbier parecia estar.


4. Pena

Depois de julgado fora da atenção internacional em uma sessão de apenas uma hora, Otto foi condenado a 15 anos de trabalho forçado pela suposta tentativa de furto. O vídeo da câmera de segurança utilizado como evidência tinham baixa resolução, e mostravam uma figura brevemente tirando um pôster de um parede e depois encostando-a na mesma, fora de lugar.

Otto Warmbier sendo levado a julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os pais de Warmbier se encontraram com diversos representantes do governo Obama e com um embaixador sueco que servia como interlocutor entre Coreia e EUA. Foi somente em 2017, já sob o governo de Trump, que os coreanos iriam soltar o americano para voltar ao seu país.


5. Doença e morte

Oficiais norte-coreanos afirmaram que a saúde de Otto tinha decaído na prisão, ele contraiu botulismo de origem alimentar logo depois da sentença — algo descartado por médicos americanos pouco depois —, e que entrou em coma induzido depois de tomar um comprimido para dormir. Depois de 17 meses de prisão em estado vegetativo, o rapaz foi enviado de volta para especialistas na Universidade de Cincinnati para compreenderem melhor o que tinha causado o coma e se haviam sinais de recuperação.

O americano não tinha nenhum indício de melhora, os pais dele solicitaram a remoção do tubo de alimentação, fazendo com que o jovem morresse logo depois. A causa de ter entrado em coma ainda é desconhecida e, apesar dos pais de Otto terem acusado a Coreia do Norte de o ter torturado durante seu tempo na prisão, médicos legistas americanos afirmaram não ter encontrado sinais de violência de qualquer tipo no corpo do falecido.


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