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O mistério de Kim Han-sol, sobrinho de Kim Jong-Un

Filho do irmão bastardo do Líder Supremo da Coreia do Norte, o jovem é crítico ao regime e praticamente sumiu após o assassinato de seu pai

Isabela Barreiros Publicado em 10/06/2020, às 14h36

Kim Han-sol em vídeo postado em 2017
Kim Han-sol em vídeo postado em 2017 - Divulgação

Na Coreia do Norte, Kim Il-sung criou um regime político diferente do que anteriormente era visto no mundo comunista. Por mais que não assuma tal posição, foi instaurada uma “dinastia familiar”. Seguindo esses moldes, o poder seria passado de pai para filho, evento que aconteceu, até hoje, três vezes. Devido a isso, a família passa por conflitos para decidir quem irá “assumir o trono”.

Hoje, quem governa o país é Kim Jong-Un, filho de Kim Jong-il. No entanto, ele não era o primeiro candidato possível ao cargo. Na verdade, o primeiro filho do ex-líder é Kim Jong-nam, mas, como era bastardo, sendo o fruto de um relacionamento fora do casamento, acabou caindo em desgraça.

O norte-coreano foi criado isolado em uma mansão e sua existência era praticamente um segredo. Acredita-se que ele tenha sido criado fora da Coreia do Norte, e que isso tenha dado a ele uma visão crítica ao regime. Ele teve uma vida fora da relação com sua família, e foi apenas em 2010 que o mundo ficou sabendo sobre as desilusões do norte-coreano com o governo de seu país.

Kim Jong-nam / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista ao jornal japonês Tokyo Shimbun, ele criticou a dinastia do país, chamou seu irmão Kim Jong-un de “fantoche” que não tinha habilidade de liderança e ainda alegou que o território entraria em colapso caso uma reforma política fosse implantada. Assim, é possível perceber que sua família também seria crítica do regime. E foi o que aconteceu: o filho mais velho, Kim Han-sol é conhecido exatamente por isso.

Quando o norte-coreano foi assassinado no dia 13 de fevereiro de 2017, no aeroporto de Kuala Lumpur, em Sepang, na Malásia, Han-sol se isolou totalmente. A morte de Jong-nam está cercada de mistério sobre quem poderia ter mandado matar o irmão mais velho do ditador, e suspeita que ele mesmo possa ter sido responsável por tal crime.

Quem é Kim Han-sol?

Kim Han-sol / Crédito: Divulgação

 

Como já dito, ele é o filho mais velho do meio-irmão do Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-Un. Na verdade, a existência do jovem herdeiro da dinastia norte-coreana não era sabida até pouco tempo atrás. Nascido em 1995 em Pyongyang, mudou-se para Macau nos anos 2000 quando o pai desertou a família.

Ele ficou conhecido pela mídia internacional apenas quando, no final de 2011, foi admitido no Colégios do Mundo Unido (UWC) e começou a estudar no campus de Mostar, na Bósnia e Herzegovina. Foi a partir daí que seu nome começou a gerar interesse na imprensa, principalmente, sul-coreana, que pouco sabia sobre o jovem.

No ano seguinte, Han-sol deu uma entrevista a uma TV da Finlândia, enquanto estudava na Bósnia. Durante a conversa, chamou o tio de “ditador” e disse: "eu sempre sonhei que um dia eu voltaria e melhoraria as coisas, e tornaria as coisas mais fáceis para as pessoas lá atrás. Eu também sonho com a unificação".

Em 2013, ele foi para a cidade de Le Havre, na França, para estudar ciências sociais na Universidade Sciences Po. Depois de terminar os estudos, em 2017, iria se matricular na Universidade de Oxford, mas como aquele foi o ano do assassinato de seu pai pouco se sabe sobre o que aconteceu com a formação do norte-coreano.

Ainda assim, durante esse período em que viveu fora da Coreia do Norte, esteve em contato com outras culturas e nacionalidades, até mesmo com estadunidenses e sul-coreanos. Ele afirmou "são países com os quais temos tido conflitos e muita tensão, mas acabamos sendo grandes amigos. Isso apenas despertou a curiosidade para mim".

É possível perceber, portanto, que suas visões são diferentes de sua família no geral, sendo muito crítico ao regime — assim como seu pai, que foi assassinado. Não é improvável imaginar que esse foi um dos motivos que levaram o jovem a se isolar completamente.

Naquele ano, no dia 8 de março, ele publicou um vídeo na internet para confirmar ao público de que estava vivo e bem. "Meu pai foi morto há alguns dias. Atualmente, estou com minha mãe e minha irmã", disse. Falando inglês com um leve sotaque britânico, finalizou: “esperamos que isso melhore logo". Desde então, pouco ou nada se sabe sobre o paradeiro do ditador norte-coreano.


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