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Análises em fezes humanas fossilizadas derruba mito sobre a civilização Cahokia

A tribo de Cahokia, da América do Norte, teve seu auge no ano de 1100 e era um dos principais centros culturais do Mississipi

Daniela Bazi Publicado em 29/01/2020, às 13h38

Pirâmide de Cahokia atualmente
Pirâmide de Cahokia atualmente - pop_gino

O arqueólogo AJ White, estudante de doutorado em antropologia da Universidade de Berkeley, conseguiu desvendar o mistério que norteia o desaparecimento da tribo Cahokia, da época de 1100, na América do Norte, que era um dos centros de cultura do Mississipi, e abrigava centenas de nativos.

White em parceria com colegas de outras universidades analisaram restos de cocô antigo, misturado com carvão e pólen, como forma de reconstruir um possível estilo de vida da civilização e o que motivou o seu desaparecimento.

Por seres humanos produzirem um nível maior de fezes que os animais, foi possível revelar algumas mudanças da população naquela região. Como consequência, os pesquisadores conseguiram avaliar o que ocorreu nesse período até o contato europeu.

Ilustração dos habitantes da tribo Cahokia / Crédito: Getty Images

 

A pesquisa concluiu que os frequentes períodos de inundações e secas foram um dos principais causadores para o fim da civilização Cahokia e, logo após, o local acabou sendo repovoado por outros povos. “Alguém poderia pensar que a região de Cahokia era uma cidade fantasma na época do contato europeu, com base no registro arqueológico. Mas conseguimos reunir uma presença nativa americana na área que durou séculos”, disse AJ.

Segundo as novas descobertas, a região foi repovoada por volta de 1500 por outras tribos de nativos americanos, que permaneceram ali até aproximadamente 1700, quando doenças, guerras e mudanças ambientais passaram a afetar a população. 

"A história de Cahokia era muito mais complexa do que ‘adeus, nativos americanos. Olá, europeus’, e nosso estudo usa evidências inovadoras e incomuns para mostrar isso”, comentou o arqueólogo.