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Apesar de proibido, deputados militares defendem a presença de PMs da ativa em manifestação

O protesto está marcado para o feriado de 7 de setembro, em São Paulo

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 28/08/2021, às 12h44 - Atualizado às 12h45

Policiais Militares de São Paulo em 2012
Policiais Militares de São Paulo em 2012 - Getty Images

A participação de policiais militares na manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), marcada para o dia 7 de setembro, tem sido defendida por deputados estaduais militares de São Paulo, segundo o portal de notícias UOL. Porém, o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar de São Paulo proíbe que PMs da ativa participem de protestos.

Nesta semana, João Dória (PSDB) afastou o coronel da PM-SP, Aleksander Lacerda, que publicou críticas ao governador e ao Supremo Tribunal Federal nas redes sociais, o que também viola o regulamento.

Alguns deputados, no entanto, alegaram que isso insuflou atos, propiciou a união da polícia ao presidente e promoveu maior adesão dos policiais a discursos antidemocráticos. Porém, eles alegam que não apoiam um possível golpe de estado ou à insurgência por parte da PM ao ato do Dia da Independência.

No grupo de militares na Alesp (Assembleia legislativa do Estado de São Paulo), dentre eles deputado estadual Sargento Neri (Avante-SP), deputado estadual Major Mecca (PSL-SP) e Castello Branco (PSL-SP), a defesa do coronel exonerado foi unânime, argumentando que a culpa para o acirramento da situação foi de Dória.

O Regulamento Disciplinar da PM também impede que os policiais militares se manifestem em relação a seus superiores, no caso, o governador do estado.

Segundo levantamento do UOL, os bolsonaristas estão utilizando a punição dada ao coronel para inflamar a militância a comparecer à manifestação convocada pelo presidente. O deputado federal e PM da reserva Coronel Tadeu (PSL-SP) afirmou que policiais militares do interior estavam organizando um ônibus para comparecer ao protesto na Avenida Paulista.

Em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, um ex-comandante da Rota, batalhão especial da polícia militar paulista, marcou um ponto de encontro para os PMs se encontrarem no centro da capital. Dentre eles, há relatos de alguns que pretendem ir armados, mesmo que estejam à paisana.

No evento em Cotia (SP), na sexta-feira, Dória respondeu às críticas sobre o caso e defendeu seu posicionamento. “O comandante em chefe da PM-SP é o governador. [Lacerda] responderá disciplinarmente ao tribunal específico, Tribunal Militar, e também junto ao Ministério Público. Isso foi feito exatas 7 horas depois da sua publicação. Indisciplina, insubordinação não faz parte da PM. Nós agimos corretamente.”

O governador acrescentou que está tranquilo e que tem o controle da sua polícia. A Secretaria de Segurança Pública decidiu que só haverá manifestações pró-Bolsonaro nos atos da primeira terça-feira de setembro.