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Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, é acusado de abuso sexual e moral

"Quando ele me tocou, na minha parte íntima, disse que aquilo ali era normal, coisa do homem”, diz um ex-seminarista sobre os abusos que teria sofrido pelo religioso

Fabio Previdelli Publicado em 04/01/2021, às 12h30

O arcebispo Dom Alberto Taveira Corrêa
O arcebispo Dom Alberto Taveira Corrêa - Divulgação

Segundo reportagem publicada pelo Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, 3, quatro ex-seminaristas acusam o arcebispo de Belém (PA), Dom Alberto Taveira Corrêa, de usar sua influência para abusar sexualmente de pessoas em encontros privados. A denúncia está sendo apurada pelo Ministério Público do estado e pelo Vaticano. As informações foram repercutidas pelo UOL

Segundo contam as vítimas, as investidas sexuais não consentidas de Dom Alberto aconteciam na casa onde o arcebispo vive. Elas relatam que o religioso as convidava para visitá-lo. Como se sentiam privilegiados pela oportunidade, os ex-seminaristas aceitavam a oferta.  

"Ele dizia: 'Quero conversar contigo tal dia, lá em casa'", lembra uma das vítimas. "Parecia algo inalcançável. 'Nossa! Eu fui chamado para ir à casa do arcebispo'. Você se sente importante naquele momento", conta outra.  

Os acusadores, que tinham entre 15 e 18 ano na época, entre 2010 e 2014, dizem que o arcebispo teria feito abusos tanto morais quanto sexuais. “Quando ele me tocou, na minha parte íntima, disse que aquilo ali era normal, coisa do homem”, relembra um deles.  

Além dos abusos, Dom Alberto também teria oferecido a cura da homossexualidade para alguns seminaristas. O “tratamento”, como religioso descrevia o procedimento, era ensinado através de um livro. "Você lia o livro e dizia assim, que ser homossexual é uma doença, que a gente precisava ser tratado e ajudado", diz um dos acusadores. 

As denúncias foram feitas à Polícia Civil e ao Ministério Público em agosto do ano passado, porém, como o processo corre em sigilo de justiça, não há maiores informações sobre as investigações.  

Em sua defesa, o arcebispo publicou um vídeo chamando a denúncia de “falsas acusações de imoralidade”: Digo a vocês que recebi com tristeza há poucos dias informações da existência de procedimentos investigativos com graves acusações contra mim, sem que eu tenha sido previamente questionado, ouvido, ou tido qualquer oportunidade para esclarecer esses pretensos fatos postos nas acusações”. 

Roberto Lauria, advogado de defesa de Dom Alberto, informou que o religioso ainda não foi ouvido pela polícia, mas garante que ele “está à disposição”. "Obviamente que a primeira coisa a ser dita é a negativa e o repúdio a essa denúncia", diz. 

"Nós vamos provar ao final desse inquérito que, diferentemente do que se pensa, os denunciantes não são quatro pessoas isoladas. São um grupo de pessoas que têm um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por Dom Alberto”, conclui.