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Notícias / Timorebestia

'Bestas terroristas': Fóssil de predador marinho de 500 mil anos é encontrado

Encontrado na Groenlândia, restos bem preservados de verme carnívoro que dominou os oceanos revelam como eram os primeiros ecossistemas da Terra

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 23/01/2024, às 10h56

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Representação de como seria o Timorebestia - Bob Nicholls/Universidade de Bristol
Representação de como seria o Timorebestia - Bob Nicholls/Universidade de Bristol

Recentemente, na Groenlândia, pesquisadores descobriram fósseis de vermes predadores gigantes que dominavam os oceanos há 518 milhões de anos. As criaturas foram chamas de "bestas terroristas"; ou Timorebestia, em latim. 

A espécie foi uma das primeiras aquáticas carnívoras da Terra, segundo explicou um comunicado publicado pela equipe de cientistas da Universidade de Bristol, na Inglaterra. Os predadores antigos possuíam seus corpos revestidos com barbatanas, longas antenas projetadas de suas cabeças e enormes estruturas mandibulares. 

A 'besta terrorista' podia alcançar os 30 centímetros de comprimento e figurava entre as maiores criaturas dos oceanos durante o Cambriano Inferior.

"Já sabíamos que os artrópodes primitivos eram os predadores dominantes durante o Cambriano", disse o Dr. Jakob Vinther, autor principal do estudo, que foi publicado no Science Advances

No entanto, Timorebestia é um parente distante, mas próximo, dos atuais vermes-flecha, ou chaetognatas. Hoje em dia, estes são predadores oceânicos muito mais pequenos que se alimentam de minúsculo zooplâncton".

O estudo também apontou que uma análise nos ecossistemas antigos mostrou que eles eram "bastante complexos" e tinham uma "cadeia alimentar que permitia vários níveis de predadores".

Besta terrorista

Apesar do nome de verme 'besta terrorista' parecer pertencer a uma criatura exorbitante, como aquelas apresentadas por Frank Herbert em 'Duna', saber que a espécie antiga possui apenas trinta centímetros de comprimento pode causar a falsa impressão de que ela não fosse dominante. 

Muito pelo contrário, eles eram "gigantes em sua época", garante Vinther. "[Timorebestia] estaria perto do topo da cadeia alimentar. Isso o torna equivalente a alguns dos principais carnívoros dos oceanos modernos, como tubarões e focas".

Embora separados com uma diferença de 500 milhões de anos, os pesquisadores encontraram semelhanças entre o Timorebestia e os atuais vermes-flecha. "Ambos eram predadores nadadores", explicou o pesquisador. 

"Podemos, portanto, supor que com toda a probabilidade foram eles os predadores que dominaram os oceanos antes da ascensão dos artrópodes. Talvez eles tenham tido uma dinastia de cerca de 10 a 15 milhões de anos antes de serem substituídos por outros grupos mais bem-sucedidos", prosseguiu.

Tae Yoon Park, do Instituto Coreano de Pesquisa Polar, outro autor do estudo, também observou que ambas as espécies possuem um sistema central nervoso e distinto no estômago, conhecido como gânglio ventral. "É totalmente exclusivo para esses animais", afirmou. "Encontramos isto preservado em Timorebestia".

Nossa descoberta confirma como os vermes-flecha evoluíram", explicou.

O pesquisador também relatou que, embora tivesse meio bilhão de anos, os fósseis estavam extraordinariamente bem preservados. "Graças à notável e excepcional preservação… também podemos revelar detalhes anatômicos emocionantes, incluindo seu sistema digestivo, anatomia muscular e sistema nervoso".

Dentro do sistema digestivo da 'besta terrorista', por exemplo, foi encontrado os restos de um artrópode conhecido como Isoxys. "Timorebesta os comia em grandes quantidades", explicou Morten Lunde Nielsen, outro cientista envolvido na descoberta. 

Achados do tipo, segundo os pesquisadores, contribuem para ajudar a desvendar os mistérios sobre os primeiros ecossistemas animais na Terra e como foi sua evolução ao longo dos milênios. "Estamos muito entusiasmados por ter descoberto predadores tão únicos", finaliza Park. 

"Ao longo de uma série de expedições ao remoto Sirius Passet, nos confins do norte da Groenlândia, recolhemos uma grande diversidade de novos organismos interessantes… Temos muitas outras descobertas interessantes para compartilhar nos próximos anos que ajudarão a mostrar como eram e evoluíram os primeiros ecossistemas animais".

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