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Casal que lavava dinheiro mofado de ex-ditador da Líbia é preso na França

A polícia francesa apreendeu US$ 20.000 em notas sujas, que foram roubadas do cofre do banco de Benghazi

Giovanna de Matteo Publicado em 08/10/2020, às 12h12

Foto de Muammar Gaddafi, ex-ditador da Líbia
Foto de Muammar Gaddafi, ex-ditador da Líbia - Wikimedia Commons

Nesta quarta-feira, 7, o jornal Le Parisien publicou uma notícia a respeito de um casal preso pela polícia francesa, que fora flagrado lavando US$ 20.000 em notas, que aparentavam estar mofadas. Foi revelado que a quantia fazia parte do tesouro do ex-ditador da Líbia Muammar Gaddafi.

"O dinheiro era sujo demais para passar despercebido. Um casal que vivia em Limoges (centro) foi detido no início de outubro com US$ 20 mil em notas mofadas e já tinha vendido o dobro em poucos meses", revelou a reportagem.

A descoberta decorreu de uma investigação de 10 meses que rastreava a lavagem de dinheiro do ex-chefe de Estado, que teria sido roubado durante o bombardeio do banco de Benghazi.

O evento ocorreu em 2017, em meio à guerra civil na Líbia, quando o exército nacional líbio, numa tentativa de tomar a cidade, criou uma confusão entre os rebeldes opositores, que invadiram o controle do banco central. Ao entrarem no cofre, acharam US$ 160 milhões em dinheiro vivo.

O Le Parisien explicou que esse valor foi fabricado a pedido Gaddafi em 2010 na Alemanha, mas não se sabe o motivo. "Jamais saberemos para quem eram destinados esses euros", afirmou uma fonte próxima à investigação.

Apenas se sabe que "eles eram usados para comprar armas e equipamentos. Esse dinheiro também foi desperdiçado rapidamente ou foi colocado em outros bancos", declarou outra fonte.

Metade desses US$ 160 milhões se encontravam em bom estado. Já a outra metade sofreu com o bombardeio da cidade, que ativou o sistema de segurança do banco. 80 milhões de notas ficaram encharcadas por meses, levando-as a mofar.

Depois de parte do dinheiro ter sido vendido, as notas mofadas começaram a circular na Alemanha e na Europa. Em 2019, o uso dessas notas foi proibido. "Os bancos foram obrigados a rejeitar este dinheiro, mas algumas contas poderiam ser aprovadas apesar deste aviso, porque nem todos os agentes estavam necessariamente vigilantes ao fazer pequenos depósitos."