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Como comunidades africanas antigas lidavam com pandemias? Arqueologia responde

As técnicas utilizadas iam de isolamento social à queima de assentamentos, tudo na tentativa de administrar as doenças infecciosas

Isabela Barreiros Publicado em 15/05/2020, às 08h00

Arte que retrata os cadáveres produzidos pela Peste Negra
Arte que retrata os cadáveres produzidos pela Peste Negra - Getty Images

Na trajetória humana, algumas pandemias acometeram diferentes sociedades, mudando dramaticamente o modo de vida dessas pessoas. As maiores, que geralmente são lembradas, são a peste negra, entre 1346 e 1353, e a gripe espanhola, entre os anos 1918 e 1920. Atualmente, o novo coronavírus ocupa esse lugar.

A arqueologia consegue mostrar para nós, hoje, muitos eventos que aconteceram ao longo da história — tanto os bons quanto os ruins, sendo as principais consequências dessas epidemias algumas delas. Pesquisas realizadas em diversas comunidades africanas antigas, por exemplo, revelam como essas pessoas lidaram essas doenças.

As descobertas arqueológicas foram realizadas principalmente assentamentos em Akrokrowa, em Gana, que remonta ao início do século 14, em localidades do distrito de Mwenezi, no sul do Zimbábue, e, ainda do povo Shona, que viveu onde hoje é o Zimbábue, entre os séculos 17 e 18.

Os primeiros abandonaram o local que viviam assim que perceberam as drásticas consequências da doença que os acometiam. Mesmo com o fim da epidemia, as casas não foram reconstruídas e eles decidiram viver em outra região. Como os arqueólogos não encontraram problemas de longo prazo em decorrência dessa decisão, acredita-se que eles conseguiram se adaptar e sobreviver ao surto, na mesma época da peste negra na Europa.

Em Mwenezi, por exemplo, pesquisadores descobriram que era quase proibido culturalmente tocar nos mortos que morreriam devido a esse tipo de doença. Eles não poderiam interferir nos restos mortais dessa pessoa para que a enfermidade não fosse transmitida.

Em partes do Zimbábue e Moçambique, as residências eram dispersas para que as famílias não ficassem próximas em períodos de pandemia. O distanciamento social, portanto, era uma prática comum. O povo Shona, que viveu na região, também isolava os doentes em estruturas temporárias, e, além disso, queimava os cadáveres para evitar a disseminação.