Facebook Aventuras na HistóriaTwitter Aventuras na HistóriaInstagram Aventuras na HistóriaSpotify Aventuras na História
Notícias / Arqueologia

Complexo de passagens e galerias do Peru teria sido usado para rituais sagrados

As passagens, até então, desconhecidas do templo Chavín de Huántar foram exploradas apenas neste ano

Redação Publicado em 27/06/2022, às 18h17

Imagem retrata uma das passagens subterrâneas do templo - Divulgação / Antamina
Imagem retrata uma das passagens subterrâneas do templo - Divulgação / Antamina

Em 2019, pesquisadores detectaram a presença de câmaras escondidas no subsolo do Templo de Chávin de Huantar, construído na região montanhosa dos Andes peruanos pelo misterioso povo chavín entre 1.200 a.C e 200 a.C.

O local já era explorado há mais de uma década, porém, essas passagens secretas apenas foram exploradas neste ano de 2022, em uma missão arqueológica que foi atrasada devido às restrições da pandemia de covid-19.

Fotografia externa do templo / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

Outra dificuldade, aliás, foi o tamanho limitado das aberturas, que por vezes tinham apenas 40 centímetros de diâmetro antes de abrir-se em um espaço maior. 

As galerias subterrâneas teriam servido como local de culto para os humanos época, da mesma forma que outras seções do templo, conforme explicado por John Rick, o arqueólogo que lidera o estudo, em uma entrevista ao Live Science: 

São passagens, corredores, salas, celas e nichos revestidos de pedra, grandes o suficiente para atravessar, cobertos com vigas de pedra. As galerias têm uma diversidade de funções pelo que podemos dizer, [mas] todas estão relacionadas à atividade ritual”, afirmou ele. 

Uma das teorias apresentadas pelo estudioso é que certas câmaras encontradas teriam sido usadas para induzir experiências de privação sensorial. Outros locais, por sua vez, eram depósitos de artefatos sagrados, como trombetas feitas de conchas gigantes, cujo funcionamento pode ser conferido neste link

Fotografia mostrando exemplo de trombete de concha / Crédito: Divulgação/ Universidade de Stanford

Enigmático 

O mais espaçoso cômodo encontrado pelos pesquisadores possuía duas tigelas de pedra, uma delas esculpida com a cabeça e as asas de um condor, que é uma ave de rapina da região. O lugar foi nomeado, por esse motivo, de "Galeria Condor". 

A Galeria Condor mostra muitas linhas de evidência apontando para uma idade de pelo menos 3.000 anos desde que a galeria foi construída", apontou Rick, o que tornaria o local um dos mais antigos do templo. 

Outro detalhe é que as passagens levando a essas câmeras também foram seladas há milênios, mostrando que os habitantes do local teriam deixado de usá-las com a construção das porções mais 'novas'. 

Fotografia das tigelas encontradas / Crédito: Divulgação/ Universidade de Stanford/ John Rick

Drogas? 

As crenças e cerimônias da religião chavín são majoritariamente um mistério para os arqueólogos atuais, porém, uma informação que já sabemos é que essa população humana fazia a inalação de rapé alucinógeno

Assim, uma estimativa de Richard Burger, um cientista que não faz parte da pesquisa, porém que faz o estudo daquele povo, é que as tigelas da Galeria Condor teriam sido usadas para moer as ervas usadas na criação da substância psicodélica, ainda segundo o LiveScience.