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Arqueólogos encontram rota migratória do Homo erectus no Sudão, até então desconhecida

Os novos rastros de migrações Homo erectus converge com o conhecimento que temos sobre a espécie

Jânio de Oliveira Freime Publicado em 09/05/2019, às 13h00

Reconstrução de rosto de Homo erectus
Reconstrução de rosto de Homo erectus - Crédito: Divulgação

Uma expedição de arqueólogos poloneses (financiada pelo National Science Center, da Alemanha e Polônia) revelou resquícios de mais de 500.000 anos da presença do Homo erectus no Leste do Sudão, em meio ao deserto do Saara.

A descoberta parece provar a existência de rotas intercontinentais de migração da espécie - que eram desconhecidas até o momento. A descoberta converge com o conhecimento que temos do Homo erectus, que surgiu há quase 2 milhões de anos e migrou para a Eurásia.

O sítio escavado forneceu mais de mil artefatos líticos , incluindo machados esculpidos que são característicos da cultura material do Homo erectus, provando a existência de uma rota ocupada pela espécie e apontando que a rota serviria para migração de grupos para o Norte.

Os estudos apontam que a rota traspassa o continente africano, indo para além. O líder da expedição, Mirosław Masojć, da Universidade de Wroclaw, declarou que a descoberta pode apresentar novos estudos sobre a dinâmica de dispersão da espécie no mundo. Ao mesmo tempo, esses sãos os traços mais antigos de presença de homeníneos no nordeste africano.

Esqueleto de H. erectus / Crédito: Wikimedia commons

 

Isso porque a concepção tradicional da comunidade científica era a de que os Homo erectus migravam para o norte através do Vale do Nilo, e não pelo interior da região onde hoje é o deserto. Masojć aponta que, na época em que a rota era usada, o local não tinha passado pela desertificação que deu origem ao Saara. O norte africano era preenchido por uma vasta vegetação, com um clima muito mais úmido e com maior presença de rios.

A descoberta também comprova a longa história de coexistência entre o Homo erectus e o Homo sapiens na África, que durou entre entre 300.000 e 200.000 anos atrás (ou seja, ao menos por 100.000 anos).

Foram encontrados mais de 200 pontos de conservação de material paleolítico. Feitos principalmente de quartzito e rochas vulcânicas, as quais foram desenterrados desde machados de mão dos Homo erectus até lâminas lascadas feitas pelos Homo sapiens.

Pedras descobertas / Crédito: Un. de Wroclaw

 

Após a descoberta acidental do material da região, e com a disseminação dos relatos, arqueólogos do Leste Europeu partiram para a exploração das minas (que já não são mais exploradas economicamente, no frenesi desta nova “marcha do Ouro” que ocorre no Deserto do Saara).