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Estudo genético oferece novas teorias sobre a domesticação de cavalos na antiguidade

Ao contrário do que se pensava, os cavalos domésticos podem não ter surgido na Anatólia

Giovanna de Matteo Publicado em 22/09/2020, às 10h13

Foto de cavalos
Foto de cavalos - Wikimedia Commons

Antes se acreditava que os primeiros cavalos domesticados teriam surgido na região da península anatoliana, no entanto, um estudo que analisou vestígios genéticos antigos dos cavalos, sugere outra hipótese.

Ao contrário do que se pensava, o estudo trouxe a ideia de que esses animais teriam sido inseridos na Anatólia - que constitui a maior parte da República da Turquia - e na região do Cáucaso, próxima à Eurásia, durante a Idade do Bronze, cerca de 2000 aC.

A pesquisa foi divulgada em um artigo na revista Science Advances e liderada por Silvia Guimarães do Institut Jacques Monod, de Paris, que reuniu um grupo de cientistas de vários países da Europa.

As descobertas apresentadas sugerem que os cavalos domésticos tenham sido importados até a Anatólia, onde viviam com cavalos e burros selvagens locais. Além disso, os cientistas encontraram o primeiro indício genômico mais antigo de uma mula no sudoeste da Ásia, que datava entre 1100 e 800 aC.

Eva-Maria Geigl, CNRS e Institut du cheval et de l'équitation ifce, França / Divulgação

 

Segundo os dados publicados, linhagens genéticas, que apareceram repentinamente por volta de 2.000 a.C, ainda podem ser identificadas em cavalos domésticos atualmente, em vez de se desenvolverem exponencialmente ao longo do tempo, como deveria ser se essas mudanças surgissem na Anatólia.

"Identificamos um padrão de mudança genética que não reflete um processo gradual envolvendo a população local, mas sim um aparecimento repentino 2.000 aC de linhagens não locais que ainda estão presentes em cavalos domésticos”, afirmaram os pesquisadores, que ainda acreditam que as regiões próximas do Mar Negro sejam a origem mais provável para cavalos domesticados.