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A extensa ficha criminal de Ronnie Lessa, acusado de assassinar Marielle

Crimes incluem tráfico internacional, envolvimento com jogo do bicho e assassinatos em série

Redação Publicado em 11/05/2022, às 12h27

A vereadora Marielle Franco
A vereadora Marielle Franco - Getty Images

Acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em março de 2018, o policial militar aposentado Ronnie Lessa viu sua ficha criminal aumentar na última terça-feira, 10. 

Com a realização da Operação Calígula, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciou a caçada contra um esquema de rede de jogos de azar. O órgão aponta que Lessa seria um dos integrantes da operação, que tem o contraventor Rogério de Andrade como líder. Segundo reportado há pouco pela equipe do site do Aventuras na História, as autoridades cariocas acreditam que o bicheiro seria o mandante do assassinato de Marielle

A mega operação, que cumpre 29 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão, foi responsável por deter o delegado Marcos Cipriano e a ex-delegada da Polícia Civil Adriana Belém — em sua casa foi encontrado cerca de 1,8 milhão de reais em espécie. 

O ex-policial Ronnie Lessa/ Crédito: Divulgação

Conforme noticiado pelo UOL, o MPRJ aponta que o delegado fez a intermediação de um encontro entre Lessa, Belém e o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves. A intenção era promover, por meio de propina paga por Rogério de Andrade, a retirada de cerca de 80 máquinas de caça-níquel que foram apreendidas.

Saiba mais sobre os crimes cometidos por Ronnie Lessa.

Tráfico, milícia e Marielle Franco

A relação entre Ronnie Lessa e Rogério de Andrade teria começado em meados de 2009. À época, ele já havia passado pelo BOPE e era investigado por ligação com jogo do bicho. Entretanto, ao sair do 9º Batalhão da Polícia Militar, onde atuava, foi vítima de um atentado com bomba que o fez perder uma perna. O ato teria sido um acerto de contas.

Meses depois, Rogério e seu filho Diego, de 17 anos, sofreram um ataque parecido no Recreio dos Bandeirantes. O jovem morreu na hora. A partir daí, a relação entre os dois teria começado no ramo dos bingos clandestinos e jogos de azar. 

Por conta de seu treinamento na época de policial, Lessa teria sido a escolha ideal para executar a vereadora Marielle Franco; visto que o carro de Marielle foi alvejado enquanto estava em movimento — o que exige uma grande precisão e preparação por parte do executor.

Fotografia de Marielle Franco, em 2016/ Crédito: Wikimedia Commons/ Luciana50 • Debate Partida

Com isso, segundo o UOL, Ronnie foi preso em 2019 e, no ano seguinte, uma ação do MPRJ prendeu 36 suspeitos de envolvimento com milícias cariocas. Um deles foi Camilo Alves, que teria contato com Lessa periodicamente. 

Em junho do mesmo ano, o Sargento do Corpo De Bombeiros Militar Do Estado Do Rio De Janeiro (CBMERJ) Maxwell Simões Corrêa foi detido. Conhecido pelo vulgo Suel, ele seria um homem de confiança do ex-policial e teria ajudado a ocultar armas de Lessa

Em julho de 2021, foi a vez do ex-vereador Cristiano Girão Matias ser detido — ele e Ronnie Lessa teriam envolvimento em uma série de assassinatos cometidos em 2014, numa região comandada pela milícia, em Gardênia Azul. 

Por fim, Lessa também foi indiciado por tráfico internacional de armas em 2020; sendo suspeito de comprar peças de armamentos na China e depois enviá-las para os Estados Unidos, onde sua filha residia.

A esposa de Ronnie acabou sendo presa por uma investigação de tráfico de componentes de fuzis AR-15 de Hong Kong ao Brasil. O ex-policial também teria adquirido armas de fogo e acessórios que viriam dos EUA e seriam distribuídos para traficantes, milicianos e assassinos de aluguel.