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Filha do ex-presidente de Angola, “mulher mais rica da África” enriqueceu por meio de corrupção, exploração e laços familiares

Mais de 700 mil documentos revelam a origem da fortuna de Isabel dos Santos e seu marido Sindika Dokolo, que obtiveram vantagens em bancos, empresas de petróleo e telefonia móvel

Isabela Barreiros Publicado em 21/01/2020, às 13h51

Isabel dos Santos
Isabel dos Santos - Getty Images

Documentos revelados no último domingo, 19, revelaram como Isabel dos Santos, conhecida como “mulher mais rica da África” construiu seu império. Os mais de 700 mil arquivos deram origem a uma investigação que envolve suspeita de corrupção, exploração da população angolana e abuso de laços familiares.

Isabel é filha de José Eduardo dos Santos, que presidiu a Angola de 1979 a 2017. Durante esse período, ela pôde se envolver em negócios altamente lucrativos como bancos, empresas de petróleo e telefonia móvel. Hoje, de acordo com a Revista Forbes, sua fortuna é avaliada em cerca de US$ 2 bilhões (R$ 8,4 bilhões).

Os papeis, nomeados Luanda Leaks (Vazamentos de Luanda, em tradução livre), foram analisados pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação, que inclui jornais como The Guardian e BBC.

A investigação está sendo realizada sobre o entendimento de que Isabel utilizou negócios suspeitos em subsidiárias nas quais ela tinha participação para obter vantagens econômicas.

"Toda vez que ela aparece na capa de uma revista em algum lugar do mundo, toda vez que organiza uma de suas festas glamourosas no sul da França, ela o faz pisando nas aspirações dos cidadãos de Angola”, alegou Andrew Feinstein, diretor da ONG Corruption Watch.