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Notícias / Desastre de Hillsborough

Governo rejeita campanha de famílias das vítimas da maior tragédia do futebol inglês

Após anos lutando por Justiça, famílias das vítimas do 'Desastre de Hillsborough' tiveram apelo recusado por governo; entenda!

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 06/12/2023, às 11h56

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Campo de Hillsborough pouco após o acidente nas arquibancadas - Inquérito de Hillsborough
Campo de Hillsborough pouco após o acidente nas arquibancadas - Inquérito de Hillsborough

Na Inglaterra, ministros rejeitaram as reformas da "lei de Hillsborough", criada a partir de uma campanha das famílias das 97 vítimas do Desastre de Hillsborough — a maior tragédia do futebol inglês. As medidas visam evitar acobertamentos policiais. 

+ Desastre de Hillsborough: 34 anos da maior tragédia do futebol inglês

Entretanto, o governo assinou a "carta de Hillsborough", onde declara compromisso dos departamentos com a abertura e a transparência após tragédias públicas como a ocorrida em 1989. 

Além disso, o secretário do Interior, James Cleverly, e o ministro da Justiça, Alex Chalk, pediram desculpas por darem uma resposta a um relatório encomendado por James Jones, ex-bispo de Liverpool, em 2017. 

O relatório fez um apelo às autoridades públicas e à polícia para que se comprometam em agir em favor do interesse público em casos desta natureza — após o incidente, as autoridades espalharam mentiras sobre os torcedores do Liverpool, acusando-os pela tragédia; algo desmentido após anos. 

Hillsborough durante o acidente/ Crédito: Reprodução

Cleverly e Chalk apontaram que a demora na resposta se deu para que fosse evitada interferência nos julgamentos criminais de polícias de South Yorkshire — que terminaram em 2021, sem condenações. 

No entanto, a nossa resposta demorou bastante tempo, agravando a agonia das famílias e dos sobreviventes de Hillsborough," afirmou o governo. "Por isso, lamentamos profundamente."

Busca pela verdade e Justiça

Durante anos, o desastre — que vitimou 97 pessoas que iriam assistir à semifinal da Copa da Inglaterra de 1989, entre Liverpool e Nottingham Forest — foi atribuído ao 'mau comportamento' dos torcedores do Liverpool. Na época, veículos britânicos de comunicação reforçaram essa narrativa com base nas declarações dos policiais.

Capas do The Sun/ Crédito: Reprodução

25 anos depois, porém, uma campanha das famílias culminou com um novo inquérito que determinou que as vítimas foram mortas devido a homicídio culposo por negligência grave cometido pelo oficial no comando da partida, David Duckenfield, e que nenhum comportamento dos torcedores contribuiu para o desastre.

Assim, em 2017, James Jones encomendou um relatório e, posteriormente, publicou uma carta com 'seis pontos' de compromissos para a polícia e as autoridades públicas: "colocar o interesse público acima da nossa própria reputação" após uma tragédia pública; abordar investigações e inquéritos públicos "com franqueza, de forma aberta, honesta e transparente"; "não enganar conscientemente o público ou os meios de comunicação social" e "evitar procurar defender o indefensável ou rejeitar ou menosprezar aqueles que possam ter sofrido onde falhamos".

A "carta para famílias enlutadas por tragédia pública", assinada pelo governo como resposta, é idêntica à carta de seis pontos proposta por Jones no seu relatório de 2017. As famílias enlutadas acolheram favoravelmente o relatório de Jones na época, mas pediram uma "lei de Hillsborough" para ser o legado de sua campanha por justiça.

A proposta foi elaborada por Pete Weatherby, que representou 22 famílias nos inquéritos entre 2014 e 2016. A lei introduzia um "dever de franqueza" juridicamente executável, exigindo que a polícia e as autoridades públicas apoiem aberta e totalmente as investigações e os processos judiciais após um incidente grave.

Além disso, também pedia que as pessoas enlutadas tivessem financiamento público igual para representação legal em investigações e inquéritos públicos sobre um incidente grave, tal como o financiamento disponível para a polícia, autoridades públicas e empresas envolvidas.

Em resposta ao relatório de Jones, o governo inglês rejeitou explicitamente a introdução da "lei de Hillsborough", argumentando que o pedido já estava abrangido pelo compromisso com a carta e por um "dever de franqueza" a ser introduzido no código de conduta dos agentes da polícia.

O governo argumentou que a adoção do dever de franqueza, pelo qual as famílias têm feito campanha, duplicaria os deveres já existentes e criaria conflito e confusão; a segunda medida também foi recusada — mas o governo apontou que iria consultar a possibilidade para a expansão da assistência jurídica. 

Conforme recorda o The Guardian, as famílias enlutadas de Hillsborough não tiveram assistência jurídica para o primeiro inquérito após o desastre e tiveram que usar recursos próprios para pagar um único advogado contra os inúmeros defensores financiados publicamente pela polícia e outras autoridades.

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