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A história sobre a Segunda Guerra Mundial que ninguém contou

Obra vencedora do Betty Trask Prize, “Menino mamba-negra” explora o conflito e seus impactos nos países da África Oriental

Redação Publicado em 04/04/2022, às 17h12

Capa da obra Menino mamba-negra (2022)
Capa da obra Menino mamba-negra (2022) - Divulgação/Tordesilhas Livros

Entre 1939 e 1945, a Europa foi o palco principal do que hoje é considerado o maior conflito da humanidade: a Segunda Guerra Mundial. Mas as tensões ultrapassaram as fronteiras europeias, e a guerra deixou seu rastro de morte e destruição em vários lugares do mundo, entre eles, o norte da África.

Na obra Menino mamba-negra, publicada pela Tordesilhas Livros, a autora somali-britânica Nadifa Mohamed inspira-se na história do próprio pai, que foi marinheiro mercante pela Grã-Bretanha, para contar a jornada de Jama, um garoto de dez anos que se vê sozinho no mundo após a morte inesperada de sua mãe.

Mesclando romance histórico com contos de aventura, a jornada do protagonista começa em 1935, na cidade portuária de Aden, no Iêmen. Munido apenas de um amuleto recheado com cem rúpias deixado pela mãe, o menino decide gastar as escassas economias na busca pelo pai que nunca conheceu.

Assim se inicia a diáspora de Jama de mais de mil léguas até o Egito. De trem, caminhão, navio e, principalmente, a pé, o garoto passa de uma cidade para outra e se depara com as forças fascistas italianas que controlam partes da África Oriental.

Durante essa peregrinação, ele é apanhado pela indiferente e opressora máquina da guerra e testemunha cenas de grande brutalidade, mas também profunda humanidade. Publicada originalmente em 2010 e enviada para os mais de 30 mil associados da TAG Inéditos em novembro de 2021, a obra é a estreia de Nadifa Mohamed no mercado literário.

Com ela, a autora ganhou o prêmio Betty Trask, foi cotada para o Prêmio Orange e indicada aos prêmios Guardian First Book, Dylan Thomas, John Llewellyn Rhys e PEN/Open Book Award.

Em 2013, Nadifa foi nomeada pela revista britânica Granta como uma das melhores jovens romancistas britânicas e, em 2021, foi finalista do Booker Prize com o livro The fortune men, que será publicado em breve no Brasil pela Tordesilhas Livros.

Com tradução de Marina Della Valle, o projeto gráfico foi assinado pela designer Letícia Quintilhano, também responsável pela capa de O pomar das almas perdidas, outra obra de Nadifa, publicada em nova edição em outubro pela casa editorial.

Sob o viés somali, Menino mamba-negra evidencia como os conflitos da Segunda Guerra Mundial em território africano foram cruéis e os impactos para seus povos.

No entanto, se por um lado a narrativa é marcada por passagens difíceis, onde Jama tenta escapar da violência, da fome e da morte, por outro, Nadifa Mohamed acrescenta pequenas doses de esperança por meio de um lirismo cativante, fazendo da obra a celebração vibrante e comovente da história da própria família.