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Notícias / Chernobyl

Lobos de Chernobyl desenvolveram mutação que os torna resistentes ao câncer

Uma nova pesquisa aponta que lobos-cinzentos da zona de exclusão de Chernobyl podem viver sob altas exposições a radiação e podem ser mais resistentes ao câncer

Éric Moreira Publicado em 08/02/2024, às 12h20

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Imagem ilustrativa com um lobo-cinzento - Imagem de keyouest pelo Pixabay
Imagem ilustrativa com um lobo-cinzento - Imagem de keyouest pelo Pixabay

Um novo estudo realizado em lobos-cinzentos que vivem na zona de exclusão de Chernobyl, uma das regiões mais radioativas do mundo, sugere que estes animais se tornaram, com o tempo, geneticamente diferentes de lobos-cinzentos de outros lugares do mundo, inclusive desenvolvendo mutações que aumentam suas chances de sobrevivência ao câncer.

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As descobertas foram feitas por Cara Love, bióloga evolutiva e ecotoxicologista da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e divulgadas no Encontro Anual da Sociedade de Biologia Integrativa e Comparada, em Seattle, ocorrido em janeiro deste ano. Segundo o IFL Science, foram necessários dez anos de investigação para que as conclusões fossem feitas.

A equipe de Cara Love colocou, em 2014, coleiras com GPS em alguns dos lobos daquela região, para saber não só a localização geográfica dos animais, como também o nível de exposição à radiação em tempo real. Com isso, foi descoberto que os lobos-cinzentos da zona de exclusão de Chernobyl costumam receber, diariamente, cerca de 11,28 milirem de radiação, o que corresponde a seis vezes mais que o limite legal para trabalhadores humanos.

Olhamos para a composição das células sanguíneas porque há várias células de defesa que circulam no corpo, e elas podem ser um indicativo de diferentes tipos de estresse ou doença", acrescenta Love em entrevista à rádio NPR. "E também exploramos várias infecções por parasitas e patógenos nesta população em comparação com populações de referência."

Comparações

Quando comparados os dados obtidos com os lobos-cinzentos de Chernobyl com os de outras populações — de uma área de proteção na Bielorrússia e do Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos —, foi percebido que os animais da zona de exclusão possuem uma alteração no sistema imune bastante simular à vista em pacientes com câncer que já fazem tratamento de radioterapia. Uma análise genética ainda sugere, também, que os lobos sofreram uma alteração no genoma que pode lhes proporcionar certa resistência ao câncer.

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Além disso, observou-se também que a população de lobos-cinzentos em Chernobyl é sete vezes mais densa que a de áreas de proteção na Bielorrússia, mesmo sofrendo radiação constante. Não se sabe exatamente o que explica o fato; mas acredita-se que isso pode se relacionar com a ausência de humanos na região, ou até mesmo com as alterações genéticas destes lobos.

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