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Maconha era queimada em cerimônias religiosas no Reino de Judá, afirma pesquisa

Foram encontradas evidências de cannabis, misturada a esterco, e de incenso em um santuário em Tel Arad que remonta ao século 8 a.C.

Isabela Barreiros Publicado em 30/05/2020, às 10h27

O santuário reconstruído no Museu de Israel
O santuário reconstruído no Museu de Israel - Museu de Israel

Um novo estudo publicado no jornal do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv investigou um material orgânico solidificado preto não identificado encontrado no altar de um santuário em Tel Arad, no vale de Beer-sheba, em Israel. O local conta com dois altares feitos de pedra calcária, e remontam ao século 8 a.C, no Reino de Judá.

Utilizando métodos modernos de análise de resíduos orgânicos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que se tratava de cannabis, misturada a esterco animal. Eles acreditam que a combinação foi feita para que o aquecimento se tornasse mais fácil e queimasse a substância rapidamente.

Vista aérea do monumento em Tel Arad / Crédito: Asaf. Z/Domínio público

 

Os autores do artigo, Eran Arie, Baruch Rosen e Dvory Namdar, escreveram: “o uso de materiais psicoativos também é bem conhecido nas antigas culturas do Oriente Próximo e Egeu desde a pré-história. Parece provável que a maconha tenha sido usada em Arad como um psicoativo deliberado, para estimular o êxtase como parte de cerimônias cultuais. Nesse caso, essa é a primeira evidência desse tipo no culto de Judá”.

Para Eran Arie, do Museu de Israel em Jerusalém, “seu uso no santuário deve ter desempenhado um papel central nos rituais cultuais realizados lá". A maconha era deliberadamente utilizada em cerimônias religiosas do antigo povo.

Além deste material preservado na superfície do altar, foram encontradas também evidências de incenso. Ele foi misturado à gordura animal, provavelmente para promover a evaporação.