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Missão arqueológica descobre cidade perdida de 4 mil anos na Mesopotâmia

O Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica publicou um artigo que pode revelar uma civilização inteira da Antiguidade

Alana Sousa Publicado em 28/03/2019, às 17h00

A cidade perdida
Reprodução

O mais recente artigo do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), revelou uma cidade perdida de quatro mil anos da Mesopotâmia. As escavações foram realizadas por uma equipe francesa, liderada pela arqueóloga Aline Tenu, que trabalhou no local ao longo de seis campanhas, realizadas entre 2012 e 2018.

A nova cidade está localizada nos arredores das Montanhas Zagros, em duas pequenas colinas com vista para a margem direita do rio Tanjaro. Local próximo da fronteira ocidental da Mesopotâmia, às portas de seu primeiro império, conhecido como Império Acadiano, que unia todas as cidades-estados da região.

Ao todo, cinco locais de escavação revelaram grandes fundações de pedra que se estendem por dezenas de metros pela cidade antiga no local de Kunara. Estima-se que as estruturas tenham sido erguidas há mais de quatro mil anos.

“A cidade de Kunara fornece novos elementos sobre um povo até então desconhecido que permaneceu na periferia dos estudos mesopotâmicos”, escreve Tenu.

Além das estruturas, os pesquisadores também encontraram pedaços de argila medindo cerca de 10 centímetros, que tinham escrita cuneiforme, um dos primeiros sistemas de escrita. A descoberta mostra que o povo “tinha compreensão da escrita acádia e suméria, bem como de seus vizinhos mesopotâmicos”, afirma Philippe Clancier, especialista do CNRS.

Artefatos como pedras raras foram revelados na pesquisa de campo, o que para a chefe do projeto mostra que a cidade deve ter sido bastante próspera. “Pedras raras, como a obsidiana, eram usadas para produzir ferramentas inteiramente comuns. Essa abertura em relação ao mundo e à riqueza também é ilustrada pela presença de vários moldes para lâminas de metal”, conta Tenu.

Kunara e seus habitantes eram, portanto, participantes plenos da Idade do Bronze.