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Novo estudo comprova que o deserto do Saara já abrigou água e peixes

Restos de 17.551 animais encontrados na região seriam datados entre 4.650 e 10.200 anos atrás

Daniela Bazi Publicado em 20/02/2020, às 08h00

Fóssil de peixe encontrado no Saara
Fóssil de peixe encontrado no Saara - Missão Arqueológica no Saara, Universidade Sapienza de Roma

Um recente estudo feito no deserto do Saara descobriu 17.551 fósseis de animais, na região rochosa de Takarkori , perto da Líbia, onde 80% eram peixes, confirmando a ideia de que a região, hoje conhecida por ser seca e árida, já teve rios há milhares de anos. As outras espécies encontradas eram divididas entre 19% mamíferos e 1,3% de aves, répteis, moluscos e anfíbios.

De acordo com os cientistas da Universidade Sapienze de Roma, alguns dos animais poderiam ser lixo orgânico, já que foram encontrados com marcas de corte e evidências de que teriam sido queimados. Os restos mortais foram datados entre 4.650 e 10.200 anos atrás, época em que existia água no deserto.

Cientistas durante as pesquisas do Saara / Crédito: Missão Arqueológica no Saara, Universidade Sapienza de Roma

 

De acordo com os pesquisadores, "o estudo revela a antiga rede hidrográfica do Saara e sua interconexão com o Nilo. Fornecer informações cruciais sobre as dramáticas mudanças climáticas que levaram à formação do maior deserto quente do mundo”.

Eles ainda completaram dizendo "O abrigo rochoso Takarkori mais uma vez provou ser um verdadeiro tesouro para a arqueologia africana e além. Um lugar fundamental para reconstruir a dinâmica complexa entre grupos humanos antigos e seu ambiente em um clima em mudança”.