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Ossos encontrados na Turquia esclarecem migração populacional entre 7.500 e 3.000 anos atrás

Acredita-se que a Dama do Poço, como foi apelidada a ossada encontrada, tenha sido cruelmente violentada antes de sua morte e seu corpo tenha sido jogado em uma cisterna

Nicoli Raveli Publicado em 01/06/2020, às 15h00

Imagem meramente ilustrativa de um poço
Imagem meramente ilustrativa de um poço - Getty Images

Nas terras da antiga cidade de Alalakh, no sul da Turquia, arqueólogos encontraram ossos de uma mulher que acredita-se ter sido cruelmente violentada antes de sua morte, que ocorreu entre 7.500 e 3.000 anos atrás.

De acordo com os especialistas, a descoberta da descendente da Ásia Central está ajudando os cientistas a compreender cada vez mais os movimentos populacionais daquela época, além de estudar a interação entre os povos diante de um momento histórico: a criação de cidades-estados e o começo da agricultura.

A Dama do Poço — como foi apelidada — passou por diversas análises. Segundo o estudo, seu óbito ocorreu entre 1625 a.C. e 1511 a.C., quando a mulher tinha entre 40 a 45 anos.

Restos mortais da Dama do Poço / Crédito: Divulgação/Murat Akar/Alalakh Excavations Archive

 

"Como e por que uma mulher da Ásia Central — ou de ambos os países — veio para Alalakh não é clara", alegou o arqueólogo Philipp Stockhammer da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, co-diretor do Centro de Pesquisa Max Planck-Harvard para Arqueociência do Mediterrâneo Antigo e co-autor do estudo publicado na revista Cell.

"Comerciante? Escravos? Casamento? O que podemos dizer é que geneticamente essa mulher é absolutamente estrangeira, de modo que não é o resultado de um casamento intercultural", disse.

“Portanto, uma mulher solteira ou uma família pequena percorreu essa longa distância. A mulher é morta. Por quê? Estupro? Odeio contra estrangeiros? Roubo? E então seu corpo foi descartado no poço”, questionou Stockhammer.