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Primeiros humanos a chegarem às Américas podem ter usado gelo marinho como estrada

O gelo marinho pode ter sido fundamental para a chegada dos primeiros seres humanos às Américas, aponta pesquisa publicada na revista PNAS

por Giovanna Gomes

ggomes@caras.com.br

Publicado em 10/01/2024, às 08h57

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Imagem ilustrativa - Imagem de aliricarte0 por Pixabay
Imagem ilustrativa - Imagem de aliricarte0 por Pixabay

O gelo marinho pode ter desempenhado um papel fundamental como uma antiga "estrada" para os primeiros humanos alcançarem as Américas durante a última era glacial, afirmam pesquisadores.

A descoberta, que indica a possibilidade de os humanos terem percorrido essa rota, contribui para entender como ocorreu a travessia da Beríngia, a massa de terra que ligava a Ásia à América do Norte.

Publicada em 2023 na revista PNAS, a pesquisa inicialmente investigou a transitabilidade das correntes marítimas ao longo da Beríngia por embarcações. Em uma recente apresentação em dezembro na reunião anual da União Geofísica Americana, a equipe ressaltou a importância do gelo marinho, conforme destacou o portal Live Science.

Duas possibilidades

Existem dois cenários principais para a primeira migração humana para as Américas. A antiga sugere que as pessoas realizaram essa jornada quando a Beríngia estava livre de gelo.

No entanto, evidências crescentes apontam para a hipótese de que os viajantes navegaram ao longo das costas do Pacífico da Ásia, Beríngia e América do Norte antes de 15.000 anos atrás, quando camadas gigantes de gelo dificultariam a travessia terrestre.

Segundo a fonte, arqueólogos encontraram evidências de assentamentos costeiros no oeste do Canadá com 14.000 anos. No entanto, um estudo realizado em 2020 sugere que a água doce do derretimento das geleiras na época poderia ter criado correntes fortes, que teriam complicado a viagem ao longo da costa.

Para entender melhor as condições oceânicas cruciais da migração, Summer Praetorius, paleoceanógrafa do Serviço Geológico dos EUA, e sua equipe investigaram sedimentos oceânicos ao longo da costa do Pacífico norte-americano. Dados de minúsculos fósseis de plâncton foram analisados, ajudando a deduzir temperaturas oceânicas antigas, salinidade e cobertura de gelo marinho.

Os modelos climáticos revelaram que, há 20 mil anos, as correntes oceânicas eram mais de duas vezes mais fortes devido aos ventos glaciais e ao nível mais baixo do mar durante o Último Máximo Glacial. Embora remar fosse possível, as condições teriam tornado a viagem de barco ao sul extremamente difícil, durando de 1.000 a 2.000 anos.

Além disso, os cientistas descobriram que a região abrigava gelo marinho durante o inverno até cerca de 15 mil anos atrás. Isso sugere a possibilidade de que antigos migrantes para as Américas tenham usado o gelo marinho como plataforma para caminhar, em vez de remar contra poderosas correntes, conforme observado por Praetorius.

Os dados climáticos indicam que as condições ao longo da rota costeira podem ter apoiado a migração entre 24.500 e 22.000 anos atrás, bem como entre 16.400 e 14.800 anos atrás, possivelmente com a ajuda do gelo marinho de inverno.

+ Confira aqui o estudo completo.

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