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Projeto investiga origem de intrigantes cubos de urânio nazistas da Segunda Guerra

O ‘cubo de Heisenberg’ foi desenvolvido durante o programa nuclear da Alemanha Nazista

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/08/2021, às 12h49

Um dos cubos de Heisenberg
Um dos cubos de Heisenberg - Divulgação/John T. Consoli/University of Maryland

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista criou seu próprio programa nuclear e desenvolveu cubos de urânio que serviriam de combustível para um reator nuclear capaz de produzir plutônio, um projeto que acabou engavetado. 

Os cubos, porém, foram feitos em centenas, o que as tropas americanas e britânicas viriam a descobrir com a invasão ao território em 1945, quando encontraram 664 objetos desse tipo em um laboratório sob uma igreja na cidade de Haigerloch.

A tecnologia nuclear foi nomeada de “cubo de Heisenberg” em homenagem ao físico Werner Heisenberg, que colaborou para criá-lo. 

Hoje, porém, apenas 12 desses cubos têm seu destino conhecido; o restante provavelmente pode estar em coleções privadas ou foram usados em armas nucleares dos Estados Unidos. Um deles está no Pacific Northwest National Laboratory (PNNL). 

A pesquisadora Brittany Robertson com o cubo / Crédito: Divulgação/Andrea Starr/PNNL

 

Pesquisadores do laboratório não sabem como o item foi parar no local, nem se ele é mesmo parte do programa alemão, como afirmou Jon Schwantes, principal investigador do projeto, segundo a revista Planeta. Mas eles querem investigar a origem dos objetos e identificar seus irmãos.

“Não sabemos com certeza se os cubos são do programa alemão, então primeiro queremos estabelecer isso”, disse Schwantes. “Então, queremos comparar os diferentes cubos para ver se podemos classificá-los de acordo com o grupo de pesquisa específico que os criou.”

O projeto está desenvolvendo técnicas que têm como objetivo identificar quando e onde o urânio foi minerado, por meio da radiocronologia, que examina os isótopos radioativos do cubo. 

Primeiro, eles precisam ter certeza de que o processo aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, em um projeto liderado pela física Brittany Robertson; depois, os cientistas poderão saber ainda em qual dos laboratórios o cubo foi desenvolvido, por meio das diferentes camadas externas usadas por cada local na Alemanha, em uma pesquisa projetada pelo físico Carlos Fraga.

Os estudiosos querem usar as técnicas desenvolvidas no PNNL para identificar a origem dos cubos conhecidos e para descobrir o paradeiro dos outros. Os resultados deverão ser apresentados na reunião de outono da American Chemical Society (ACS).