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Relembre a descoberta feita no cemitério onde escravizados eram jogados

No ano de 2017, foi encontrado o primeiro esqueleto completo no Cemitério dos Pretos Novos, no Rio de Janeiro

Redação Publicado em 19/12/2021, às 09h00

Esqueleto encontrado no sítio arqueológico
Esqueleto encontrado no sítio arqueológico - Divulgação / Cdurp

Uma equipe de arqueólogos que escavava o sítio arqueológico Cemitério dos Pretos Novos, na atual região portuária do Rio de Janeiro, realizou uma importante descoberta no ano de 2017. Os profissionais localizaram, na época, o primeiro esqueleto completo de uma pessoa escravizada que morrera cerca de dois séculos antes.

No passado, escravizados que não resistiam à longa jornada a bordo dos navios negreiros e vinham a óbito eram jogados no local sem qualquer zelo.

O terreno foi redescoberto em 1996 e, posteriormente, foi transformado no Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN).

A descoberta

As escavações, lideradas pelo arqueólogo Reinaldo Tavares se deram em uma área de 2 metros quadrados, em um dos poços de observação do cemitério.

Memorial dos Pretos Novos / Crédito: Wikimedia Commons / Halley Pacheco de Oliveira

 

Conforme informações da Agência Brasil, a descoberta ocorreu após sete meses desde o início das atividades.

Uma grande surpresa

Os pesquisadores ficaram muito impressionados com o fato dos restos mortais pertencerem a uma mulher, já que, segundo Tavares, somente 9% dos africanos escravizados trazidos ao Brasil seriam do sexo feminino.

Ela era jovem, tinha por volta de vinte anos de idade no momento de sua morte e teria morrido ainda no início do século 19.

Ao esqueleto, os arqueólogos deram o nome de Josefina Bakhita, em homenagem à primeira santa africana da Igreja Católica.

 

Tratamento desumano

Os profissionais destacaram que o esqueleto foi encontrado entrelaçado aos restos mortais de várias outras pessoas, o que indica que os corpos eram empilhados de qualquer maneira, sem o menor respeito pelos indivíduos que partiram.

Conforme as escavações avançam, porém, os especialistas podem recuperar um pouco de suas histórias, há tanto tempo esquecidas.

“O indivíduo passa a contar a sua história. Não são somente ossos esparsos e quebrados, como até então havíamos encontrado. Agora estamos encontrando os indivíduos. Isso é muito importante, porque, pela primeira vez, estamos encontrando os africanos que chegaram ao Rio de Janeiro”.

O esqueleto encontrado em 2017 / Crédito: Getty Images

 

O cemitério

De acordo com a fonte, o cemitério funcionou entre os anos de 1769 e 1830, tendo sido redescoberto em 1996, quando Merced Guimarães, proprietária da casa que fora construída sobre ele, encontrou restos mortais durante uma reforma.

“No início a gente achou que eram pessoas da casa que haviam sido enterradas ali. Aí a gente ficou pensando [no que fazer] e fomos até o Centro Cultural José Bonifácio [municipal, dedicado à preservação da cultura afro-brasileira]. Lá eles falaram que aqui era o antigo cemitério dos escravos”, declarou Guimarães.


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