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Tim Berners-Lee, criador do 'www', critica rumos da Internet: "A web não é a web que queríamos"

A conferência em comemoração aos 30 anos do World Wide Web debateu o que a rede mundial de computadores se tornou desde sua implantação

Alana Sousa Publicado em 13/03/2019, às 12h40

Bernes-Lee na reunião que ocorreu ontem
Reprodução

A World Wide Web, ou apenas www, completou 30 anos nesta terça-feira, 12. Para comemorar a data, o cientista criador do protocolo, Tim Berners-Lee, se juntou a Cern (Organização Europeia de Pesquisas Nucleares) para uma conferência sobre o que a Web se tornou.

A criação é considerada o marco do início da Era da Informação, e uma das maiores revoluções tecnológicas do século. Entretanto, o cientista afirmou na conversa que “a web não é a web que queríamos em todos os aspectos”.

O pai do 'www' contou que é preciso encontrar o equilíbrio para o uso da internet, mas ele mesmo alega que não sabe como isso seria. “Onde está o equilíbrio entre deixar as empresas de tecnologia fazer a coisa certa e regulá-las? Onde está o equilíbrio entre liberdade de expressão e discurso de ódio?”, questionou no evento que aconteceu na Suíça.

Para Bernes-Lee e sua equipe a solução está em um novo documento chamado “Contrato para a Web”. O contrato consiste em alistar governos, empresas e cidadãos para assumir um papel mais importante na formação da web. As empresas devem tornar a Internet acessível, respeitar a privacidade e desenvolver tecnologia que coloque as pessoas em primeiro lugar.

“O Contrato para a Web é sobre discutir em grupos de trabalho com outras pessoas que se inscreveram, e dizer: 'Ok, vamos descobrir o que isso realmente significa'”, disse Berners-Lee.

Uma das palestrantes, a professora associada da Escola de Informação e Biblioteconomia da Universidade da Carolina do Norte, Zeynep Tufekci, criticou a centralização da internet, afirmando que está ocorrendo um novo controle da Web por grandes empresas. “Esses poucos grandes players construíram, basicamente, máquinas de vigilância ”, disse ela. “É baseado em vigilância nos perfil e, em seguida, nos direcionando para anúncios, o que não era a ideia original”, finalizou Tufekci.

Atualmente existe cerca de 2 bilhões de sites online e estima-se que metade da população mundial tenha acesso à internet.