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União Europeia e EUA pedem que China solte jornalista que cobriu começo da pandemia em Wuhan

Zhang foi presa por sua cobertura da epidemia nas redes sociais

Fabio Previdelli Publicado em 30/12/2020, às 11h30

A jornalista Zhang Zhan
A jornalista Zhang Zhan - Divulgação

Na tarde de ontem, 29, os Estados Unidos e a União Europeia fizeram um pedido à China para que a jornalista Zhang Zhan, que foi presa por cobrir o início da pandemia em Wuhan, seja libertada imediatamente. As informações são do UOL. 

“Pedimos [...] sua libertação imediata e incondicional”, disse Mike Pompeo, secretário de Estado do presidente dos Estados Unidos, em nota. Além do mais, Pompeo também acusou Pequim de esconder o surto de coronavírus. "O Partido Comunista Chinês mostrou mais uma vez que fará de tudo para silenciar quem questionar a linha oficial do partido, inclusive em informações cruciais de saúde pública". 

Além do representante de Donald Trump, Peter Stano, porta-voz da política externa da União Europeia, disse que “[de acordo com] fontes confiáveis, Zhang foi submetida a tortura e maus-tratos durante sua detenção, e sua saúde se deteriorou seriamente". 

Em um comunicado, Stano ainda frisou que “é fundamental que ela recebe a assistência médica adequada”, também clamando pela “libertação imediata” não só da jornalista como de outros defensores dos direitos humanos que foram presos no país asiático. 

A declaração conflitante da UE se contrapõem com o momento em que o bloco político vive com a China, afinal, após sete árduos anos de negociações, eles finalmente chegaram a um acordo de investimentos. Decisão essa tomada apesar das preocupações com o histórico de violação dos direitos humanos que Pequim apresenta. 

A prisão 

A jornalista foi condenada na última segunda-feira, 28, a quatro anos de prisão por ter realizado a cobertura da epidemia de coronavírus em Wuhan no início do ano. Zhang Zhan, de 37 anos, foi detida em maio e acusada de "provocar distúrbios", termo que costuma ser utilizado no país contra os opositores do regime.

Ela viajou no mês de fevereiro à cidade que era, na época, o epicentro da epidemia, e divulgou reportagens nas redes sociais, ressaltando a situação caótica nos hospitais locais. Por esse feito, a jornalista poderia ser condenada a até cinco anos de prisão.

O tribunal a acusou de ter divulgado informações falsas pela internet, informou à AFP um advogado de defesa, Zhang Keke. Zhang Zhan "parecia muito abatida quando a sentença foi anunciada", declarou Ren Quanniu, outro advogado da mulher, à agência. 

Zhang iniciou uma greve de fome em junho para protestar contra sua detenção, mas foi alimentada à força por uma sonda, segundo a defesa. "Quando a vi na semana passada, ela afirmou: 'Se receber uma sentença pesada, vou recusar qualquer alimento até o fim'. Ela acredita que vai morrer na prisão", explicou Keke.

Outros três jornalistas, Chen Qiushi, Fang Bin e Li Zehua, também foram detidos após a cobertura dos eventos. Enquanto isso, o governo chinês insiste no sucesso de sua gestão para combater a doença que em um ano se propagou por todo planeta.