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Vítima de fake news, mulher vive pesadelo após ser acusada ter começado a pandemia de coronavírus

"É como acordar e depois entrar em um pesadelo dia após dia", revelou Maatje Benassi à CNN, sobre o assédio digital que vem sofrendo

Vanessa Centamori Publicado em 29/04/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de mulher segurando máscara
Imagem ilustrativa de mulher segurando máscara - Pixabay

A reservista do exército dos Estados Unidos, Maatje Benassi, viu sua vida virada de cabeça para baixo quando tornou-se alvo de teorias conspiratórias, que diziam, sem provas científicas, que ela teria trazido o novo coronavírus da China, sendo responsável pelo início da pandemia. 

Segundo informações da rede CNN, as afirmações falsas surgiram no YouTube e foram divulgadas até mesmo pela mídia do Partido Comunista Chinês. Benassi e o marido nem se quer testaram positivo para a covid-19 ou tiveram sintomas, mas ela e o cônjuge estão nos holofotes de mídias sociais chinesas e contas difamatórias de diversos países desde o mês de março. 

A disseminação das fake news sobre a militar começou quando ela participou dos Jogos Mundiais Militares, sediados em Wuhan, cidade considerada centro da pandemia de coronavírus. Benassi competiu em uma prova de ciclismo, onde fraturou uma costela e teve uma concussão. Ainda assim, foi capaz de terminar a corrida.  

Após o episódio, surgiram os boatos relacionando o seu nome com o surgimento da doença. Um dos principais difusores das fake news foi o youtuber de 59 anos George Webb, em transmissões online para seus quase 100 mil seguidores. 

Webb afirmou que o DJ italiano Benny Benassi, famoso pela música "Satisfaction", teria contraído o coronavírus - informação negada pelo artista. Ainda segundo o youtuber, junto à Benassi e o marido da militar, o músico estaria ligado à disseminação da covid-19 pelo planeta. 

Imagem ilustrativa de teste de coronavírus  / Crédito: Pexels 

 

Em resposta, concedida à CNN, o DJ disse que nunca conheceu a moça e o cônjuge dela (ambos também afirmaram não conhecer o italiano). Benny destacou ainda que Benassi é um sobrenome muito comum na Itália.

Questionado, o youtuber, por outro lado, não forneceu provas substanciais para apoiar as suas afirmações contra Benassis. Disse, contraditoriamente, que se considerava um "repórter investigativo", não um teórico da conspiração.

O Youtube afirmou que não está mais exibindo anúncios no canal de Webb. Benassis e o marido procuraram um advogado civil para resolver a questão, mas relataram dificuldades pelo assunto bater de frente com a questão da liberdade de expressão. Além disso, eles sofrem constante assédio por conta da notícia falsa. 

 "É como acordar e depois entrar em um pesadelo dia após dia", disse Maatje Benassi, à CNN. "Quero que todo mundo pare de me assediar, porque isso é cyberbullying e ficou fora de controle".