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Em Manaus, mortos por Coronavírus serão sepultados em valas comuns

Chamadas de trincheiras, as covas são a solução encontrada pela prefeitura para zerar a demanda de enterros do município

Pamela Malva Publicado em 28/04/2020, às 14h00

Sepultamento de diversos caixões em vala comum, em Manaus
Sepultamento de diversos caixões em vala comum, em Manaus - Divulgação/Chico Batata

Em meio a crise pandêmica do Coronavírus, os cemitérios de Manaus, no Amazonas, começam a demonstrar deficiência estrutural para receber todos os mortos pela doença. Agora, segundo a prefeitura, caixões devem ser enterrados em valas comuns.

Em nota, a Prefeitura de Manaus explicou que teve de mudar o “layout das covas”, devido ao alto número de mortes no município. Como solução, as covas comunitárias foram criadas e receberam o nome de trincheiras.

Localizadas no Cemitério Nossa Senhora da Aparecida, na Zona Oeste de Manaus, as valas comuns devem receber dezenas de caixões. A fim de zerar a fila de sepultamentos, então, os corpos serão enterrados em camadas nas trincheiras.

Os índices de infectados e mortos pelo Coronavírus em Manaus segue aumentando rapidamente. No domingo, 26, o município registrou o maior número de sepultamentos desde o início da pandemia. Foram 140 enterros realizados em 24 horas.

Imagem meramente ilustrativa de pessoas usando máscaras / Crédito: Divulgação

 

Outras denúncias relacionadas à falta de estrutura foram feitas por famílias de Manaus. Enquanto corpos foram colocados a céu aberto do lado de fora do necrotério, em uma unidade de saúde, uma família teve de enterrar seu próprio pai por falta de coveiros.

Já são mais de 3,9 mil casos de Coronavírus confirmados no município do Amazonas, 1,2 mil recuperados e 320 mortos. Pelos altos números, a prefeitura reitera que outra opção oferecida para as famílias de luto é a cremação — escolha que evitaria o problema da falta de covas suficientes.

No Brasil, a Covid-19 já infectou mais de 68 mil pessoas. Dos casos confirmados, são mais de 4,6 mil mortos e 31 mil recuperados. No mundo, já são mais de 3 milhões de casos, sendo que 938 mil pessoas se recuperaram e 213 mil foram vítimas da doença.