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O auge e a queda de Ana Bolena, mulher que fez o rei romper com a Igreja Católica

Relembre com o escritor Paulo Rezzutti a vida dramática de Bolena, por quem o rei da Inglaterra criou o anglicanismo e se divorciou de sua ex-esposa

Ingredi Brunato Publicado em 10/02/2024, às 09h00

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Pintura de Ana Bolena - Wikimedia Commons
Pintura de Ana Bolena - Wikimedia Commons

Ana Bolena é uma figura histórica com uma história e tanto: ela começou como uma nobre de "status questionável", ascendeu socialmente e acabou se tornando ninguém menos que a rainha da Inglaterra

Para se casar com ela, o rei, Henrique VIII, que na época já tinha uma esposa, rompeu laços com a Igreja Católica, fundando sua própria versão da religião cristã — o anglicanismo. Apesar desse início promissor, porém, a vida da jovem foi marcada por uma reviravolta trágica: foi decapitada a mando do marido. 

Sua trajetória dramática de ascensão rápida e declínio chama a atenção até os dias atuais. Em um vídeo de seu canal no Youtube, o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti foi a fundo na vida da lendária Ana Bolena

Rainha!

Bolena nasceu em uma família descrita por Rezzutti como de "nobreza duvidosa". Seu pai, um cavaleiro, assim como os irmãos, conseguiu espaço em meio às camadas mais altas da sociedade britânica graças a casamentos e alianças com nobres bem estabelecidos. 

Apesar disso, Ana recebeu uma educação de qualidade: aprendeu gramática, aritmética e bordado, entre outras habilidades consideradas valiosas para uma mulher da época. 

De personalidade carismática, ela passou a frequentar o ambiente real após conseguir a posição de dama de companhia da princesaMaria, irmã do rei Henrique VIII. Mais tarde, ainda serviu como dama da então rainha da Inglaterra, a católica Catarina de Aragão. 

Foi neste período, por volta de 1526, que o monarca britânico começou a reparar na jovem Bolena. Havia um grande fator contribuindo para seu interesse: após 17 anos casado, sua esposa não conseguiu prover um herdeiro homem. 

Pintura de Catarina de Aragão / Crédito: Wikimedia Commons

Catarina deu à luz em seis ocasiões diferentes, porém, quatro destes bebês nasceram natimortos. Um dos sobreviventes, que acontecia de ser um menino,  só viveu durante algumas semanas antes de falecer.

Sua única prole que "vingou" foi uma menina chamada Maria. Com uma herdeira mulher, contudo, Henrique VIII arriscava a queda de sua dinastia, conforme explicado por Paulo Rezzutti

A lei inglesa não estabelecia nenhum impedimento para que mulheres herdassem, no entanto, havia um histórico de que os nobres não aceitassem o comando delas. Isso aconteceu, por exemplo, com a rainha Mathilde, que foi destronada e teve que lutar para que seu filho herdasse o trono", explicou o autor. 

Para piorar a situação, Catarina já não estava em uma idade em que poderia engravidar. Com Ana Bolena, por outro lado, que ainda não tinha nem vinte anos, o rei britânico percebeu uma chance de produzir os herdeiros que tanto queria. 

Assim, o monarca começou a cortejá-la, mas demorou até obter sucesso: "Ele esperava que Ana fosse ceder fácil como todas as outras, mas não estava preparado para enfrentar uma moça que não se deslumbrasse com a atenção do rei. Ela recusou a corte dele dizendo que 'a honra e o respeito a si mesma' não lhe permitiam aceitar os avanços do soberano", apontou Rezzutti

Bolena passou eventualmente a responder positivamente aos avanços de Henrique VIII, dizendo em cartas que lhe tinha "muita afeição". Ainda assim, se recusava a se tornar a sua amante. 

Para resolver o impasse, que se estendeu por anos, o rei da Inglaterra moveu céus e terras para ter seu casamento com Catarina de Aragão anulado, a fim de que pudesse casar com Bolena.

Encontrou uma brecha que permitia considerar sua união com a primeira esposa "contrária aos valores cristãos", e, quando não conseguiu a benção do papa para o divórcio, teve a decisão histórica de cortar seus laços com a Igreja Católica, fundando sua própria versão do cristianismo: o anglicanismo.

Pintura de Henrique VIII / Crédito: Wikimedia Communs 

Declínio 

Mesmo após tanto lutar para desposar Ana Bolena, porém, Henrique VIII ficou insatisfeito com seu segundo matrimônio. Assim como Catarina, ela não chegou a gerar filhos homens, por exemplo, apenas uma menina chamada de Elizabeth. Além disso, sua personalidade forte por vezes criava atritos não apenas com ele, mas com a corte britânica, em geral.

Na corte, o gênio dela era tido como inadequado para uma rainha consorte. Ela era inteligente demais, direta demais, temperamental demais, sem vergonha nenhuma de rir ou brigar na frente dos outros, e também se interessava demais pelos acontecimentos políticos para o gosto dos cortesãos (...) Henrique também se alternava entre momentos de pura felicidade e afeição com outros em que mal suportava ver a esposa", explicou Rezzutti no vídeo. 

Outro detalhe relevante é que, nesta época, monarca começou a se interessar por outra dama de companhia, Jane Seymour, de personalidade dócil e passiva. A corte inglesa passou a se afastar de Bolena, pensando que esse casamento também seria anulado. 

O destino que a segunda esposa de Henrique VIII, de fato, enfrentou foi muito mais sangrento: fora acusada de manter relações com outros homens, o que era considerado como alta criação, e então decapitada a mando do marido. No dia de sua execução, porém, tinha uma postura tranquila: 

"O patíbulo para a execução foi montado no lado norte da torre, e Ana caminhou para ele vestida com roupas reais e peles, tão calma e bem-humorada como se só estivesse indo dar um passeio (...) Ao subir ao patíbulo, ela fez um pequeno discurso, em que disse que não acusaria homem algum, mas, ao invés disso, rezava a Deus para proteger o rei e lhe dar um longo reinado. Depois, pediu que os presentes rezassem por ela e a perdoassem por qualquer mal que ela lhes tivesse feito. Muitos ficaram tão comovidos que começaram a chorar", narrou Rezzutti

Henrique VIII se casou com Jane Seymour dez dias mais tarde. Com sua terceira esposa, o rei britânico afinal conseguiu o filho homem que desejava. O herdeiro, contudo, veio ao mundo através de um parto complicado, de qual sua mãe não conseguiu se recuperar e faleceu.

O monarca se casou mais outras três vezes, anulando mais um casamento e mandando decapitar uma segunda esposa. Sua última parceira, Catherine Parr, morreu um ano depois do rei

Ana Bolena, embora executada, deixou um legado considerável: além de ter participado dos bastidores da fundação do anglicanismo, sua única filha, Elizabeth, se tornou uma das rainhas mais importantes da história da Inglaterra. 

[Elizabeth] não só consolidou o anglicanismo como religião oficial da Inglaterra como conseguiu tornar o país uma potência marítima. Acredita-se que o trauma da morte da mãe foi um dos motivos pelos quais Elisabeth nunca aceitou se casar. Assim como os irmãos, ela não teve filhos, e com ela chegou ao fim a dinastia Tudor", concluiu o pesquisador. 

Para saber mais detalhes sobre os jogos políticos da audaciosa Ana Bolena e as intrigas na corte britânica que contribuíram para sua queda, confira o vídeo de Paulo Rezzutti abaixo: 

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