Matérias » Folclore

Entre demônios e a guilhotina: a sanguinária história de João e Maria

O conto original, escrito pelos Irmãos Grimm, relata uma versão obscura — e diferente do que estamos habituados

Daniela Bazi Publicado em 28/01/2020, às 15h58

Ilustração de João e Maria
Ilustração de João e Maria - Reprodução

A história de João e Maria é um conto de fadas que ultrapassa gerações. Publicada pela primeira vez em 1812, de autoria dos Irmãos Grimm, a narrativa fala de dois irmãos que foram abandonados na floresta por seu pai e a madrasta devido a falta de dinheiro para sustentar todos e, enquanto procuravam o caminho de volta para casa, acabaram sendo capturados por uma bruxa que tinha o objetivo de "assá-los" após comerem sua casa feita de doces.

As crianças conseguem fugir da mulher, atirando-a no forno, e reencontram seu pai que havia acabado de perder a mulher, voltando para casa felizes com o dinheiro encontrado na casa da bruxa. Entretanto, esta não seria a versão original da história.

O conto real tinha o nome de "As Crianças Perdidas", e se passa na Idade Média. Longe de ser um conto infantil: é uma representação das dificuldades passadas na época devido à falta de comida. Por isso, era comum que os pais matassem seus filhos ou os abandonassem por não conseguirem sustentar os familiares.

Ilustração feita em 1927 para o conto João e Maria / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao invés de João e Maria, o nome dos irmãos era Jean e Jeanette e, assim como a versão dos Grimm, foram largados na floresta por seus pais. Para encontrarem seu caminho de volta para casa, as crianças sobem em uma árvore e avistam dois telhados, sendo um branco e o outro vermelho.

Jean e Jeanette decidem se encaminhar para a casa de telhado vermelho, e encontram com uma doce e gentil senhora que afirmava ser dona da casa e recebeu as crianças. Seu único pedido foi para que não fizessem barulho, pois seu marido atacaria caso descobrisse o que estava acontecendo.

O homem em questão era um demônio, e sentiu o cheiro dos jovens que rezavam constantemente para encontrar seus pais, que acabaram sendo aprisionados para que fossem devorados. Jean seria o primeiro e, por estar muito magro, recebia comida todos os dias de sua própria irmã para que se tornasse mais apetitoso ao monstro.

No conto dos Irmãos Grimm, João e Maria encontram uma casa feita inteiramente de doces / Crédito: Reprodução

 

Quando o demônio iniciou os testes para saber se o garoto já estava pronto, Jeanette conseguiu ajudar seu irmão a enganá-lo com um rabo de rato, que disfarçava como próprio dedo. A tentativa funcionou por duas vezes até serem descobertos. Como consequência, o diabo decidiu que criaria uma guilhotina para cortar a cabeça de Jean.

Ao optar por um passeio, as crianças chamaram a adorável senhora que os havia recepcionado e perguntaram como o objeto funcionava. Os irmãos puderam enganá-la e em seguida cortaram a cabeça da idosa, fugindo com a carroça do demônio cheio de ouro e prata. A figura diabólica foi enfurecida atrás de Jean e Jeanette.

Uma lavadeira que morava ali perto percebeu toda a situação e decidiu ajudar as crianças. Ela enganou o demônio fingindo auxiliá-lo a passar pelo rio, mas acabou puxando a ponte improvisada fazendo com que ele caísse na água e morresse afogado. Com isso, Jean e Jeanette conseguiram encontrar o caminho de volta para casa e entregar toda a fortuna roubada para seus pais, vivendo felizes para sempre.


+Saiba mais sobre os contos dos irmãos Grimm com as obras abaixo: 

Um conto sombrio dos Grimm, Adam Gidwitz (2016) - https://amzn.to/2NurXQh

Contos dos Irmãos Grimm, Clarissa Pinkola Estés (2004) - https://amzn.to/2Tss96m

Contos De Grimm - Obra Completa, Irmaos Grimm (2013) - https://amzn.to/2QUDaeM

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.