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Casamento entre primos e divórcio: os escândalos da princesa Victoria Melita

Neta da rainha Vitória, a aristocrata chocou a sociedade da época após se separar de seu primeiro marido

Victória Gearini Publicado em 06/06/2020, às 20h39

Vitória Melita, Princesa de Saxe-Coburgo-Gota e Grã-Duquesa da Rússia
Vitória Melita, Princesa de Saxe-Coburgo-Gota e Grã-Duquesa da Rússia - Wikimedia Commons

Nascida no dia 25 de novembro de 1876, em Attard, Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota, neta da rainha Vitória, escandalizou a sociedade britânica ao ir contra os paradigmas sociais da época e se divorciar. 

Paixão proibida pelo grão-duque Cyrill Vladimirovich

Embora fosse uma jovem tímida, pensativa e sensível, desde muito nova Vitória era considerada uma pessoa com o temperamento forte. Em 1891, a princesa viajou junto de sua mãe, Maria Alexandrovna da Rússia, para o funeral de sua tia, a grã-duquesa Alexandra Georgievna. 

Na ocasião, a jovem conheceu o grão-duque Cyrill Vladimirovich, seu primo de primeiro grau. Logo apaixonaram-se um pelo o outro, mas foram impedidos de prosseguir com o relacionamento pois a Igreja Ortodoxa Russa proibia o casamento entre primos. A princesa enfrentou, ainda, a desaprovação de sua mãe, que não gostava dos homens da família Romanov. 

No outono de 1891, Vitória Melita foi visitar sua avó e lá conheceu seu outro primo, o príncipe Ernesto Luís, herdeiro ao trono do Grão-ducado de Hesse. A rainha logo viu a aproximação entre os jovens e os encorajou a se casarem, no entanto, a princesa estava apaixonada por Cyrill. 

O casamento com o príncipe Ernesto Luís

Com o tempo, Vitória e Ernesto cederam à pressão familiar e casaram-se no dia 9 de abril de 1894, no Palácio de Ehrenburg, em Coburgo. Nesta ocasião, a princesa recebeu o título de Grã-duquesa de Hesse e do Reno. Um ano depois o casal teve uma filha, chamada Isabel de Hesse.

Vitória Melita e Ernesto no dia de seu casamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora Vitória e Ernesto gostassem de dar festas informais juntos, eles eram infelizes, pois a princesa não sentia que o marido lhe dava atenção o suficiente. Por diversas vezes Vitória foi repreendida, ainda, por não exercer com suas obrigações reais. Ernesto ficava furioso, o que gerava brigas incansáveis e até mesmo agressões físicas. 

Vitória não aceitava as agressões do marido e revidava a brutalidade de Ernesto. A relação do casal piorou quando a princesa viajou para a Rússia, onde reencontrou sua primeira paixão: o grão-duque Cyrill Vladimirovich.

O divórcio 

Acredita-se que em 1897, após regressar de uma visita que fez a sua irmã, Vitória teria flagrado Ernesto tendo relações sexuais com outro homem. No entanto, a rainha Vitória não concedeu permissão para o divórcio de seus netos, alegando que a filha do casal ficaria vulnerável.

Logo após a morte da rainha, em 1901, o Supremo Tribunal de Hesse dissolveu o matrimônio. A princípio Ernesto relutou contra a separação. “Agora que estou mais calmo, vejo a impossibilidade absoluta de continuar a viver uma vida que a estava matando e deixando-me quase louco,” escreveu Ernesto em uma de suas cartas. 

Vitória Melita ao lado de sua filha Isabel / Crédito: Wikimedia Commons

 

Vitória resistiu e conseguiu se divorciar do marido, escandalizando a sociedade da época. Após a separação, a jovem mudou-se para a Riviera Francesa e passou a compartilhar a guarda de Isabel com Ernesto.

Em 1903, Isabel foi visitar Nicolau II na Rússia, onde a criança contraiu febre tifoide, falecendo aos oito anos de idade. Vitória ficou devastada quando soube a notícia da morte de sua filha. Durante o funeral da pequena, a aristocrata retirou a banda da Ordem de Hesse de seu vestido e a colocou sobre o caixão, como forma de romper com os paradigmas da época. 

O reencontro com Cyrill

Após o divórcio de Vitória, o grão-duque Cyrill foi desencorajado pela família a manter contato com a amada. Meses depois, o rapaz foi enviado para a guerra, onde quase morreu. Após esta experiência ele foi ao encontro de Vitória, casando-se com a sua primeira paixão em 8 de outubro de 1905, em Tegernsee. 

Vitória Melita ao lado de seus filhos e de seu marido Cyrill / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aos 30 anos, Vitória decidiu converter-se à Igreja Ortodoxa Russa, e em 1907 a primeira filha do casal nasceu, chamada Maria Kyrillovna. Em 1909, a segunda herdeira veio ao mundo, Kira Kyrillovna. Após a Revolução de 1917, a família foi exilada e perdeu o direito ao trono. Neste mesmo ano, o terceiro filho do casal, Vladimir Kirillovich, nasceu.

Em 1933, Vitória ficou extremamente abalada quando descobriu que Cyrill havia a traído inúmeras vezes. Em 1936 sofreu um acidente vascular cerebral, vindo a óbito naquele mesmo ano. Cyrill faleceu dois anos depois e em seu leito de morte afirmou amar Vitória, lamentando tê-la traído.


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