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Como fazíamos sem raio X?

Neste dia, em 1895, Wilhelm Röntgen descobria o raio-X. Até então, as soluções eram precárias. Ou brutais

Roniel Felipe e Mariana Teixeira Rodrigues Publicado em 08/11/2018, às 00h30

A descoberta deu o pontapé inicial para o nascimento da radiologia diagnóstica
Getty Images

Antes de se descobrir a utilidade dos raios-X, só havia dois jeitos de saber o que estava acontecendo dentro do corpo humano machucado ou doente. A primeira alternativa era usar o tato. Ao apalpar as áreas nas quais os pacientes sentiam dores, os médicos tentavam diagnosticar o problema. “Identificava-se o câncer quando o médico tocava o paciente e percebia alguma anomalia. Do contrário, a pessoa morreria sem saber o motivo”, diz Luana Nascimento, doutora em Física Médica pela Universidade Umeå, na Suécia. A outra opção, muito usada em caso de fraturas e contusões, era o bisturi. Com o paciente aberto, muitas vezes sem anestesia, ficava fácil visualizar o estrago.

A situação só começou a mudar em 8 de novembro de 1895, quando o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) encontrou um novo tipo de radiação ao perceber que os feixes de luz, resultados do choque entre elétrons desacelerados e matérias de grande número atômico, deixavam marcas em filmes fotográficos.

“Outros cientistas da época, especialmente os que trabalhavam com tubos de raios catódicos, já haviam observado os efeitos dos raios-X, mas sem perceber que aquele era um novo fenômeno”, afirma Luana. Ao tirar uma chapa da mão esquerda de sua própria esposa, Anna Bertha, Röntgen deu o pontapé inicial para o nascimento da radiologia diagnóstica, já que os raios permitem ver tecidos e estruturas do organismo e ainda ajudam a detectar uma vasta gama de problemas ósseos e tumores.

Tamanho foi o sucesso da descoberta que o cientista recebeu o primeiro prêmio Nobel de Física da História, em 1901. Rapidamente, os bombardeios de radiação ionizante foram usados em shows públicos, que espantavam a platéia com a apresentação inédita de imagens de esqueletos humanos. Hoje, não há clínica ou laboratório que não use aparelhos de raios-X e suas versões mais modernas, como os de tomografia computadorizada.