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Como um trágico incêndio na Austrália pode ser revisto 42 anos depois

O incêndio do Luna Park foi responsável por matar 6 crianças e o pai de duas delas — e permaneceu impune até novas provas neste ano

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 09/06/2021, às 12h28

Entrada do Luna Park
Entrada do Luna Park - Getty Images

Na noite de 9 de junho de 1979 um incêndio estourou na montanha russa Ghost Train no parque de diversões Luna Park, em Sydney, na Austrália. O que não esperavam, no entanto, era que uma falha no sistema de mangueiras de incêndio do parque, que não cobria a área da atração, transformaria um problema de rápida solução em uma tragédia histórica.

As chamas se espalharam rapidamente na composição inflamável do brinquedo enquanto visitantes ainda realizavam um trajeto pelos trilhos, como narra o portal australiano News.com.au.

Com a estimativa de 35 pessoas compondo o carro condutor, a atração teve seu alarme acionado justamente durante a passagem em um túnel, interrompendo o trajeto e iniciando a retirada dos participantes em meio a um denso incêndio, por volta das 22h15.

Porém, a tragédia se confirmou na hora seguinte; ao contrário do que os responsáveis pelo parque pensavam, sete passageiros não foram resgatados, sendo eles seis crianças e o pai de duas delas.

Seus corpos foram encontrados sem vida, parcialmente queimados e acometidos pela fumaça, dando início a um dos mistérios mais tenebrosos da história da Austrália.

Uma das raras imagens do incêndio da montanha russa no Luna Park / Crédito: Divulgação / Youtube / ABC

 

Investigação controversa

Após as mortes, o parque foi fechado, mas as investigações não conseguiram determinar a causa do incêndio de maneira efetiva, apontando que o sistema de supressão de incêndios do parque era inadequado, mas acrescentando que a falha elétrica havia causado incêndio, como apontou o jornal britânico The Guardian.

Em decorrência do acidente, a falha não foi considerada suficiente para autuar o Luna Park por negligência criminosa, isentando qualquer culpa pela morte das crianças e renovando a licitação de funcionamento pouco depois.

Nos anos seguintes, a investigação prosseguiu e chegou a ser reaberta pelo governo nacional em 1987, mas também não obteve um nome ou causa para relacionar. Contudo, uma relação levantada somente em 2007 pelo jornal The Sydney Morning Herald reacendeu o debate sobre o caso.

De acordo com Anne Buckingham, o seu tio, Abe Saffron, conhecido por sua atuação no submundo criminoso da capital australiana, teria ateado fogo no parque como uma retaliação, mas não queria que houvesse vítimas. A confissão reabriu uma série de discussões e investigações paralelas que, agora, podem mudar o rumo do episódio.

Memorial prestando condolências às vítimas no Luna Park / Crédito: Wikimedia Commons / TheGRVOfLightning

 

Possível reabertura

Com as novas informações do caso, a rede ABC, principal emissora da Austrália, realizou uma série jornalística chamada "Exposed: The Ghost Train Fire", reunindo evidências e entrevistando sobreviventes junto de familiares. Além disso, enalteceu a tese de que as autoridades responsáveis pelo caso fizeram vista grossa pela presença de uma suposta rede criminosa.

As suposições da reportagem apontam que Abe Saffron não foi o único responsável, mas contou com a participação do ex-premiê de New South Wales Neville Wran, do ex-juiz da Suprema Corte Lionel Murphy e o chefe do crime organizado Jack Rooklyn.

Este último teria ordenado o fogo por meio de um grupo de motoqueiros. A meta era que o fogo se espalhasse até uma área protegida ao lado, de maneira que Saffron pudesse arrendar as terras.

Agora, a atual legista de New South Wales, Teresa O’Sullivan, informou que as provas apontadas pela cobertura serão integradas a um novo inquérito de revisão do caso, como confirmou ao The Guardian. Reconsiderando as causas do caso, a investigação pode finalmente apontar um culpado pelas sete mortes, quatro décadas depois.


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