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Da vida de princesa até o abandono do exílio: a desgraça de Amélia de Orleães

Como última Rainha de Portugal antes da República, a mulher passou por episódios cruéis, que marcaram sua vida para sempre

Pamela Malva Publicado em 15/07/2020, às 08h00

Retrato de Amélia de Orleães, a Rainha Consorte de Portugal
Retrato de Amélia de Orleães, a Rainha Consorte de Portugal - Wikimedia Commons

Como filha primogênita de Maria Isabel de Orleães e Luís Filipe, o Conde de Paris, a jovem Amélia de Orleães nasceu e cresceu em um palácio, cercada de luxo. Mesmo não sendo herdeira de qualquer trono, teve a infância de uma princesa.

Na Inglaterra, acompanhou o exílio da família, enquanto Napoleão III reinava na França. Foi apenas após a queda do império que, junto dos Orleães, a menina finalmente conheceu o país europeu, em 1871.

Apaixonada por todo tipo de manifestação artística, Amélia viva no teatro, assistindo diversas peças e produções de ópera. Quando não estava sentada na frente de uma orquestra, poderia ser encontrada em seus aposentos lendo ou pintando.

Quando tornou-se adulta, no entanto, a mulher encontrou uma vida diferente do conto de fadas que sua infância fora. Ao lado de sua própria família, ela passou por episódios traumatizantes e por momentos que ela nunca iria esquecer.

Retrato de Amélia de Orleães já adulta / Crédtio: Wikimedia Commons

 

Família para chamar de sua

Foi em meados de 1880 que Amélia teve sua mão prometida para D. Carlos, o Duque de Bragança. Como de costume, o casamento era mais uma artimanha política para unir as linhagens austríaca e espanhola.

Dono de cabelos loiros encaracolados, D. Carlos conquistou o coração de Amélia logo que a viu pela primeira vez. Gentil e carismática, a jovem também fez os olhos do duque brilharem. Em pouco tempo, então, os dois se apaixonaram.

O casamento aconteceu em maio de 1886, na Igreja de São Domingos. Já unidos, o Duque e a Duquesa de Bragança mudaram-se para o Palácio de Belém, onde tiveram dois filhos: Luís Filipe e Manuel II de Portugal. A terceira filha, pequena Maria Ana, veio ao mundo em 1887, mas não resistiu e faleceu ainda recém-nascida.

Amélia e seu esposo, D. Carlos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Altos e baixos

Em um casamento feliz, Amélia só não tinha um bom relacionamento com sua sogra. Superficial e consumista, a rainha Maria Pia gostava de ostentar e demonstrava ser bastante negligente em relação ao povo português.

Tudo mudou quando Luís I de Portugal faleceu, em 1889. Aos precoces 24 anos, então, Amélia tornou-se a Rainha Consorte de Portugal e acompanhou a coroação de seu esposo, que agora respondia por Rei Carlos I.

Em novembro daquele mesmo ano, o casal real teve mais um herdeiro, o pequeno Manuel. Nem mesmo a risada do bebê, contudo, foi capaz de amenizar a angústia de Carlos I, que enfrentava diversas crises em seu reino, além da insatisfação popular.

Rainha do povo

Ao contrário de seu marido, que lutava para manter o trono intacto, Amélia fez um trabalho impecável como Rainha Consorte. Com sua influência na corte portuguesa, a elegante monarca tentou erradicar a pobreza e a tuberculose.

Sempre disposta a ouvir, todavia, ela não estava preparada para o que o futuro lhe reservava. Durante a volta de uma viagem, o Rei Carlos I e o herdeiro direto do trono, Luís Filipe, foram assassinados, em fevereiro de 1908.

Frente à iminente morte de seus amados, a Rainha Amélia mostrou-se destemida e feroz. No episódio que ficou conhecido como Regicídio, ela brandiu um ramo de flores amarelas que segurava nas mãos e ordenou que os assassinos do rei recuassem. A imagem da rainha determinada tomou conta dos jornais de toda a Europa.

Momento em que a rainha tenta salvar o rei e seu herdeiro / Crédtio: Wikimedia Commons

 

Fundo do poço

Com a morte de seu esposo, contudo, a vida de Amélia caiu em um espiral de depressão. Em outubro de 1910, a dama ainda não havia se recuperado do Regicídio quando descobriu, através do chefe da Casa Militar, que a monarquia estava caindo.

Naquela madrugada, a República estava batendo nas portas do palácio e, junto de seus filhos restantes, Amélia teve de fugir para o exílio. No dia seguinte, a República Portuguesa foi instaurada e a Família Real mudou-se para a Inglaterra.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Amélia manteve sua postura de benfeitora e prestou serviços na Cruz Vermelha. Em 1940, quando teve sua casa ocupada por alemães, refugiou-se em Portugal a convite de Salazar.

Em 25 de outubro de 1951, isolada e sem a coroa que tanto amava, a gentil rainha Amélia faleceu, aos 86 anos. Vítima de um ataque de uremia, sem filhos e sem seu amado esposo, deixou todos os seus bens para afilhado, Duarte Pio.


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