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Desaparecido e encontrado em uma chaminé 7 anos depois: o misterioso caso de Joshua Maddux

Quando o jovem saiu de casa em 2008, a família não imaginava que ele seria encontrado apenas em 2015, dentro da chaminé de uma cabana abandonada

Pamela Malva Publicado em 21/01/2020, às 17h52

Joshua Maduxx na sala de sua casa
Joshua Maduxx na sala de sua casa - Arquivo pessoal da família

Demorou um pouco até que a família Maduxx se recuperasse da perda de Zachary. O jovem, filho de Mike e irmão de Kate, Ruth e Joshua, havia tirado a própria vida em 2006. Foi um baque para todos, mas, com o tempo, os familiares conseguiram seguir em frente.

A morte do rapaz apenas voltou a assombrar a família quando Joshua Maduxx desapareceu, em 2008. O sumiço de mais um ente querido fez com que Mike e suas duas filhas revivessem todos os horrores de se perder um familiar.

No dia 8 de maio daquele ano, Joshua se despediu de Kate, avisando-a que iria fazer uma caminhada. Acostumada com o hobbie do irmão, que amava a natureza tanto quanto amava a música, a menina não desconfiou de nada e viu quando ele saiu de casa, em Woodland, no Colorado.

Horas se passaram e Josh não dava notícias e não voltou para casa. Ainda que fosse de costume do jovem sair andando pela floresta, ele sempre dava um jeito de avisar a família, o que, rapidamente, pareceu suspeito. Dias depois, Josh ainda não tinha voltado para casa.

Joshua com sua irmã Ruth / Crédito: Arquivo pessoal da família

 

Assustados com o desaparecimento, a família decidiu chamar a polícia no dia 13 de maio. Familiares, vizinhos e conhecidos da cidade saíram em busca de Josh, mas nem os civis, nem os policiais encontraram pistas do paradeiro do garoto de 18 anos.

Para o pai e as irmãs de Josh, ele facilmente poderia ter saído da cidade, em busca de uma vida nova.  Nunca passou pela cabeça deles que Joshua pudesse ter qualquer outro destino. Assim, cercado de perguntas sem respostas, o caso permaneceu em aberto até 2015, quando um homem chamado Chuck Murphy apareceu com novas informações.

A cabana

Chuck era dono de uma cabana localizada a menos de 2 km da casa dos Maduxx. Ele chamou a polícia, alegando que teria encontrado algo esquisito na chaminé da residência, enquanto a demolia para construir um empreendimento imobiliário.

Os oficiais prontamente foram ao local e encontraram ossos humanos dentro da chaminé da cabana. O corpo estava em posição fetal, com as costas para baixo e as pernas esticadas para cima. A posição estranha chamou atenção e eles submeteram os ossos à análise forense.

Com a ajuda de um odontólogo, foi possível confirmar que a ossada encontrada pertencia a Joshua Maduxx, desaparecido há sete anos. Uma investigação minuciosa, feita por Al Born, o legista responsável pelo caso, não identificou marcas de balas, facadas ou traumas, indicando uma morte acidental.

A descoberta do corpo de Joshua apenas trouxe mais dúvidas e perguntas. Na época, Kate comentou em uma rede social que a família esperava pelo melhor: “Eu esperava que Josh voltasse para casa na casa de meu pai a qualquer momento, com uma esposa e filhos pequenos”. Encontrá-lo morto nunca foi uma opção.

A cabana onde Joshua foi encontrado / Crédito: Reprodução/Youtube

 

Thunderhead Ranch

Durante as investigações, Chuck disse à polícia que, antigamente, a cabana onde Joshua foi encontrado era conhecida como Thunderhead Ranch. Ele teria comprado o imóvel de um homem chamado Bert Bergstrom, nos anos 1950.

Segundo o homem, a cabana não era usada há, pelo menos, dez anos, quando seu irmão deixou de morar lá, em 2005. Depois disso, ela teria ficado completamente abandonada e tomada por animais, como ratos e guaxinins.

Aos oficiais, Chuck ainda contou que, décadas antes, a casa era usada como um centro de práticas ilegais, como jogos de azar e a venda de bebidas alcoólicas, tudo sob a supervisão de Bert Bergstrom — se teria se mudado da Suécia para os Estados Unidos em 1912 e, desde então, teria cuidado da Thunderhead Ranch.

Investigações

Para a polícia, tudo parecia muito estranho e as peças não se encaixavam, ainda mais depois do testemunho de Chuck. Segundo o dono da cabana, não era possível que Joshua tivesse entrado pelo topo da chaminé, já que uma malha de metal havia sido instalada sobre os tijolos, vinte anos antes do desaparecimento, para evitar que animais entrassem na casa.

Todavia, segundo Al Born, nenhum resto da suposta malha de proteção foi encontrado durante as investigações. “Não vimos resquícios da malha em nossas fotos. Ela deve ter desaparecido”, disse o legista, em algumas entrevistas da época.

Joshua Maduxx era apaixonado por música e pela natureza / Crédito: Arquivo pessoal da família

 

Aos jornais, Chuck ergueu a teoria de que Josh, na verdade, teria sido assassinado. Para ele, não fazia sentido que menino entrasse pela chaminé de cabeça, muito menos sozinho. O dono da cabana alegava que, para que o corpo ficasse do jeito que foi encontrado, seria necessário que duas pessoas o colocassem lá daquele jeito.

A polícia, no entanto, logo descartou qualquer possibilidade de assassinato, já que nenhuma marca de trauma foi encontrada. Eles também procuraram indícios de que Joshua teria sido amarrado na posição fetal, mas nenhuma prova apareceu. Born também afirmou que não foram encontrados resquícios de drogas no organismo do jovem.

Um único suspeito foi interrogado na época: Andrew Newman, o último homem com quem Josh havia falado antes do desaparecimento. No entanto, mesmo com a longa ficha criminal por trás de Andrew, a polícia encontrou nenhuma evidência substancial que o ligasse à morte do rapaz.

Por fim, a polícia imaginou que Joshua, de fato, havia caído na chaminé e, com o decorrer dos dias, teria sofrido de hipotermia ou sede. As teorias nunca foram comprovadas e muitas perguntas ainda seguem sem respostas. A família, no entanto, conseguiu o que queria: um desfecho para o maior mistério — onde Joshua estava — e um enterro digno para o ente querido.


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