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Desencanto, frieza e traições: o inerente casamento de Dom Pedro II e Teresa Cristina

Desde quando a conheceu, o monarca não se encantou pela imperatriz

Vanessa Centamori Publicado em 16/05/2020, às 09h00

Dom Pedro II e Teresa Cristina em pintura oficial
Dom Pedro II e Teresa Cristina em pintura oficial - Wikimedia Commons

A imperatriz consorte Teresa Cristina já estava casada antes mesmo de conhecer o marido, Dom Pedro II. O destino incerto que seguiu o casório da filha do Rei Francisco I não era raro entre as princesas. A portuguesa iria para um país desconhecido, que acabou adotando como próprio: o Brasil, onde finalmente encontraria o esposo. 

Teresa Cristina / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Tal encontro tardio ocorreu pois a união da princesa do Reino das Duas Sicílias com o monarca brasileiro tinha sido feita por procuração, em Nápoles, em 1843. Isto é, por meio de um papel, que nem tinha sido ela quem assinou. A princesa foi representada na ocasião pelo irmão, Leopoldo, e não esteve presente na cerimônia. 

 

Desilusão amorosa

Visto que o casório começou de modo tão pouco romântico, não foi surpresa que o amor não florescesse. Quando a nova imperatriz chegou ao Rio de Janeiro, em setembro daquele ano, ela se encantou pelo monarca de cabelos loiros, mas não foi recíproco.

Ele não curtiu o fato dela não corresponder às descrições imprecisas que tinham lhe dado sobre a garota. Baixinha e distante do padrão de beleza europeu, levemente acima do peso, Teresa Cristina foi rejeitada por Dom Pedro II.

Apesar da aparência da moça não ter correspondido aos ideais impossíveis do futuro rei, ele acabou de qualquer forma se casando mais uma vez com ela, em uma cerimônia pós-procuração, em 4 de setembro de 1843, na Capela Real do Rio de Janeiro.

Teresa Cristina com os filhos / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Esposa submissa

O casamento com o imperador rendeu à Teresa Cristina um total de quatro filhos: D. Afonso, que morreu com dois anos; D. Pedro Afonso, que faleceu com poucos meses de vida; D. Leopoldina, que viveu até os 24 anos; e a famosa Isabel, princesa herdeira do trono brasileiro, responsável por assinar a Lei Áurea.

Dividida entre a dedicação a seus filhos e seus compromissos reais, Cristina sempre se portou de modo educado e discreto, silencioso e paciente, com o marido. Também acompanhava frequentemente D. Pedro II em suas muitas viagens e solenidades magnas. Tentava ser uma boa esposa, mas de modo geral, ambos eram bem distantes e não se amavam. 

Retrato de Leopoldina, Pedro, Teresa Cristina e Isabel / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Vez ou outra, o casal real discutia, por mais que a imperatriz tentasse não contrariar o esposo, tal como as regras religiosas a sugeriam. Em uma carta escrita em 2 de maio de 1845, Teresa Cristina se diz arrependida de ter entrado em conflito com o rei. "Não vejo a hora de te abraçar novamente, bom Pedro, e pedir-te perdão por tudo o que te fiz nestes dias", escreveu. 

Amantes 

Quando os dois filhos meninos da imperatriz faleceram, ela nunca mais engravidou. A rainha e o marido lutavam com o fato de que não havia um herdeiro homem para o país (algo importante no olhar machista da época).

Enquanto isso, o rei insatisfeito e infiel saía com múltiplas mulheres. Sobre as traições do monarca, o diplomata espanhol Juan Valera, confidenciou a um amigo que “a imperatriz do Brasil [Teresa Cristina] é tão virtuosa quanto feia, e dom Pedro II lhe é infiel de vez em quando". 

O rei passou a ter casos com Ana Maria, a condessa de Villeneuve. Com ela, o soberano trocou cartas quentes.  “Que loucuras cometemos na cama de dois travesseiros!”, escreveu D. Pedro II, em 7 de maio daquele ano. 

Luísa Margarida de Barros, amante de D.Pedro II / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Luísa Margarida de Barros

Entre todos os relacionamentos extraconjugais, o mais conhecido foi o do monarca com Luísa Margarida de Barros, a condessa de Barral. A relação foi descrita por Mary Del Priore, na obra Condessa de Barral, a Paixão do Imperador.

Durante a campanha republicana, no final do século 19, jornais que tinham liberdade de imprensa começaram a falar do affair do rei.  A condessa de Barral (que estava na França) tinha vindo ao Brasil para o casamento do filho. Começaram a eclodir então notícias picantes e até charges envolvendo a moça e o imperador. 

O relacionamento dos amantes durou 34 anos. Eles se encontravam secretamente em Petrópolis, onde Luísa havia alugado um chalé. Também se viam no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e trocaram cartas, nas quais dom Pedro II relembrava com carinho “noites atenienses" de sexo. 

D.Pedro II / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Até que a morte os separe

Com a proclamação da república, exilada na Europa, junto com D. Pedro II, Teresa Cristina Maria começou a adoecer e morreu em 28 de dezembro de 1889, na cidade de Porto. À Baronesa de Japurá, a imperatriz confiou suas últimas palavras: "Não morro de moléstia, morro de dor e de desgosto... Brasil, terra abençoada que nunca mais verei...".

Após a morte da sua esposa, D. Pedro II ficou tocado de certa forma, apesar de não ter sido o mais fiel durante o casamento. Em memória à mulher falecida, o líder político doou aos brasileiros sua monumental biblioteca, com a condição que ela fosse adicionada à coleção batizada de D. Thereza Christina Maria. Assim foi feito, e dessa forma a Biblioteca Nacional adquiriu um dos seus mais importantes conjuntos documentais.


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