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Durante a Primeira Guerra, Hitler foi condecorado por um oficial judeu

De origem judaica, o oficial Hugo Gutmann recomendou o prêmio de Cruz de Ferro ao futuro líder nazista

Redação Publicado em 29/08/2019, às 08h00

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Crescendo na pequena cidade austríaca de Linz, Adolf Hitler teve seus primeiros pensamentos violentos sobre os Judeus na metrópole Viena, influenciado entre outros pelo prefeito anti-semita Karl Lueger. Mas, apesar de ser conhecido por seu ódio mortal às minorias judaicas, ele manifestou essa aversão de forma menos intensa em alguns momentos da vida. 

O médico Eduard Bloch

Em 1904, após a morte de seu pai, Hitler – que contava com 15 anos – ficou gravemente doente. Na ocasião, o médico local, o judeu Eduard Bloch, foi chamado para ajudá-lo. O mesmo ocorreu quando sua mãe, da qual ele era muito próximo, desenvolveu câncer de mama em 1907. Embora os últimos dias de Klara Hitler tenham sido terríveis, o médico fez tudo o que pôde para auxiliá-la.

Eduard Bloch / Crédito: Reprodução

 

Quando ela faleceu, em dezembro de 1907, Hitler manifestou sua gratidão a Bloch, dizendo-lhe: "sempre lhe serei eternamente grato”.

Em 1938, quando a Alemanha anexou a Áustria e uma onda de antissemitismo assolava o país, o Dr. Bloch escreveu uma carta a Hitler pedindo sua ajuda. Ele cumpriu a promessa, instruindo Bloch e sua esposa a receberem proteção e referindo-se ao médico como um judeu nobre. Porém, muitos membros de sua família acabaram morrendo na guerra.

A Cruz de Ferro

Bloch não foi o único judeu importante na vida do futuro líder nazista. Em 1914, quando a Primeira Guerra Mundial estourou, Hitler se alistou no exército alemão. Considerado um bom soldado, ele foi condecorado com a Cruz de Ferro de 2ª Classe pela bravura durante a Batalha de Ypres, na Bélgica.

Tenente Hugo Gutmann /
Crédito: Reprodução

 

Quatro anos depois, o cabo foi agraciados com a Cruz de Ferro de 1ª Classe, por seu papel de mensageiro que levava informações importantes entre as unidades sob fogo. A concessão da Primeira Medalha era uma raridade para um homem de baixo escalão. E quem a concedeu foi o Tenente Hugo Gutmann, que - adivinhem - também era judeu.

Em 1935, enquanto veteranos de guerra de origem judaica sofriam grande discriminação na Alemanha, o ex-tenente Gutmann manteve sua pensão militar devido à influência o ex-cabo. Preso pela Gestapo em 1938, Gutmann foi libertado pelos oficiais após conhecimento sobre as relações que ele manteve com o Fuhrer.

Como o Dr. Bloch, o ex-tenente teve permissão para deixar a Alemanha em 1939, emigrando para os EUA em 1940 - antes que a Europa Ocidental fosse invadida pelos alemães.