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Egípcias, mineiras e andinas: as múmias perdidas do Museu Nacional

O que teve início em 1826 com a coleção da família imperial brasileira quase chegou ao fim com o incêndio que aconteceu em 2018

Isabela Barreiros Publicado em 30/05/2020, às 07h00

A cabeça mumificada do povo Jívaro
A cabeça mumificada do povo Jívaro - Museu Nacional

Em setembro de 2018, um desastroso incêndio acometeu o Museu Nacional, na capital do Rio de Janeiro. De acordo com a direção do museu, apenas 19% das coleções não foram atingidas pelo incidente, e cerca de 46% sobreviveu e passou por processos de identificação e conservação.

Segundo a vice-coordenadora do núcleo de resgate do acervo, Luciana Carvalho, ainda é difícil dimensionar a proporção dos resgates ocorridos no Museu Nacional. Mesmo que muito tenha sido socorrido, o incêndio foi um golpe no acervo da instituição, que guardava alguns dos artefatos mais importantes do Brasil.

No entanto, ainda sabemos o que o museu armazenava e é muito importante lembrar. Valorizar esses objetos históricos pode fazer com que a política negligente de proteção ao patrimônio público diminua e eles passem a ser protegidos da maneira que sempre deveriam ser.

Vindas do Egito

Partes do crânio de Sha-Amun-en-su foram encontradas após o incêncio no Museu Nacional em 2018 / Crédito: Divulgação

 

Foi D. Pedro I quem começou o acervo de múmias egípcias no Brasil, que viria a se tornar o maior da América Latina. Essa história começou de uma maneira acidental, em 1826, quando o comerciante italiano Nicolau Fiengo chegou ao Rio de Janeiro.

Ele trouxe peças que haviam sido encontradas na necrópole de Tebas no Egito, pelo explorador Giovanni Battista Belzoni. Ao chegar ao nosso país, toda coleção fez parte de um leilão no Rio de Janeiro. Dom Pedro I comprou tudo — cinco múmias humanas inteiras.  Eram os corpos de Harsiesi, Hori, Kherima e outros dois não identificados.

Depois disso, a coleção viria a se tornar cada vez maior e foi Dom Pedro II que levou a fama da icônica coleção egípcia. Em 1876, o imperador brasileiro viajou para o Egito e foi presenteado com um sarcófago contendo uma múmia. Ela era Sha-Amun-en-su, uma importante sacerdotisa-cantora do Terceiro Período Intermediário do Egito.

Múmias nacionais

As múmias encontradas na Caverna da Babilônia em Minas Gerais / Crédito: Museu Nacional

 

Mesmo que as múmias egípcias chamassem muito a atenção do público que visitava o Museu Nacional, ainda existiam diversas que foram encontradas em território nacional. Uma delas era até mesmo mineira.

Ela foi encontrada na Caverna da Babilônia em Minas Gerais e estava acompanhada dos corpos mumificados de dois bebês. Acredita-se que eles tenham sido de um desses três possíveis povos indígenas apontados, os maxacalis, camacãs ou manukis. Ainda assim, não existem evidências que apontem que a mulher era mãe das crianças.

É provável que elas tenham sido naturalmente mumificadas: o clima frio e seco foi acompanhado de uma cobertura de fibras de tecido, folhas e pedras. Isso possibilitou que o local, que deve ter servido como cemitério, tivesse condições ideais para a preservação. A mulher tinha 1,5 m de altura e 25 anos ao morrer, enquanto os bebês tinham um ano e um mês de idade.

Latino-americanos

A múmia de Chiu Chiu / Crédito: Museu Nacional

 

O território latino-americano é muito rico em corpos mumificados. Um dos mais famosos é o de Chiu Chiu, um homem encontrado sentado abraçando os joelhos. Ele morreu com 40 anos de idade no Chile há quatro mil anos. O interessante sobre ele é que não se sabe exatamente o que fez com que ele ficasse nessa posição ao morrer, sugere-se que era comum enterrar os mortos dessa maneira na região.

Em uma posição muito parecida, a múmia Aymara também estava no Museu Nacional. O homem que faleceu entre os 30 e 40 anos foi descoberto em um território entre Peru e Bolívia, próximo ao Lago Titicaca. Ele vestia uma manta comprida e ficava encolhido.

Cabeça mumificada do povo Jívaro / Crédito: Museu Nacional

 

Outro indivíduo encontrado no continente foi um do povo Jívaro, que vivia na Amazônia Equatoriana. Eles eram especialistas em mumificar cabeças — e ficaram famosos por isso. Um impressionante crânio foi mantido pela preservação peculiar feita por eles, mesmo em meio ao clima nada favorável ao processo da região.


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