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Enigmas e astros de Hollywood: A polêmica religião da cientologia

Com artistas e milionários fazendo parte dos cultos, a organização religiosa chama atenção pelas doutrinas

Redação Publicado em 13/12/2020, às 14h26

Sede da cientologia em Los Angeles, Califórnia
Sede da cientologia em Los Angeles, Califórnia - Wikimedia Commons

A fundação da Cientologia ocorreu na Califórnia durante a década de 1950, com L. Ron Hubbard, um escritor de ficção como idealizador. 

Assim, logo se tornou uma das crenças mais contestadas. Ela recebe influências do budismo e do hinduísmo, mas também de campos da ciência, como as ciências humanas.

O sistema de crenças da cientologia foi descrito por Hubbard em seus livros, inclusive os de ficção. Assim como outras religiões, a Igreja da Cientologia possui cultos, batismos, casamentos e cerimônias religiosas.

Segundo Hubbard, a criação de tudo o que conhecemos remeteria a uma confederação das galáxias que reunia todos os planetas do universo, há 75 milhões de anos. Ela era governada por um líder maléfico chamado Xenu, que, insatisfeito com problemas de superpopulação, teria enviado bilhões de habitantes para a Terra – por meio de naves jogadas dentro de vulcões.

Os seguidores da cientologia acreditam que todos somos seres imortais, que evoluem até alcançar a iluminação. Essa evolução é alcançada por meio da reencarnação. Para atingir o autoconhecimento, os seguidores dessa crença passam por exames, processos científicos e detectores de mentiras.

Turbulência

Ao longo das seis décadas seguintes, a atuação misteriosa e pouco transparente da organização resultou em uma série de episódios turbulentos.

A instituição foi alvo de protestos pelos pedidos de altas quantias financeiras para a possibilidade de ser inserido na sociedade dos cultos e ter acesso aos detalhes da organização — além da servidão vitalícia embasada na filosofia religiosa, que enaltece a imortalidade além do plano carnal, ou seja, durante a estadia na Terra.

Se por um lado, a cobrança é alta para ser inserido na igreja, as despesas da instituição religiosa são contestadas até os dias atuais, como aponta o relatório da BBC.

Com membros de alta classe e poder aquisitivo, o IRS americano — órgão equivalente à Receita Federal nos EUA — foi pressionado para conceder o status de organização religiosa, a isentando de impostos.

Presença de celebridades

Algumas figuras notáveis também são relatadas pelo dossiê da BBC como seguidores e vítimas da hierarquia da cientologia. O mais famoso membro é Tom Cruise, no qual a reportagem atribui a influência da religião no fim de seu casamento com a atriz Nicole Kidman, alegando que, pelo fato de ser católica e ter um pai psicólogo — atividade abominada pelo culto — ela não era apropriada ao símbolo da instituição.

Tom Cruise e John Travolta, dois dos membros mais notáveis da religião / Crédito: Divulgação

 

Outros artistas também passaram por problemas com seu entorno graças a direção da cientologia, como o premiado músico Isaac Hayes, que fez o personagem Chef na polêmica série South Park.

O artista anunciou a saída da equipe de dublagem após um episódio que questionava a cientologia. De acordo com os produtores, o comportamento foi considerado “intolerante”, visto que a produção costumava satirizar várias religiões — contando inclusive com Hayes.

Beck Hansen, membro ativo da Igreja,  teve contato com as crenças desde a infância, quando leu e aprendeu sobre o assunto. Em 2005, reconheceu sua afiliação à Cientologia.

Em uma entrevista, Beck afirmou que os resultados da Cientologia falam por si só, e que eles o ajudaram muito. “Eles têm uma das maiores taxas de sucesso no tratamento contra as drogas e nos programas para criminosos nas prisões. É realmente surpreendente, na verdade”.

Questionado sobre as críticas à igreja, ele respondeu: “Há um tipo de intolerância que, para mim, é meio insidiosa. As pessoas gostam de julgar o que elas não sabem”.

Outro nome que parece concordar com essa visão é Elisabeth Moss, atriz da série The Handmaid’s Tale. Ela cresceu na Igreja da Cientologia, mas adotou uma postura cautelosa em relação à exposição da sua religião.

Em um raro debate com um fã nas redes sociais, Elisabeth falou sobre sua crença. “Tanto Gilead (nação fictícia de The Handmaid’s Tale) quanto a cientologia acreditam que todas as fontes externas, como notícias, são erradas ou más. Isso faz você pensar duas vezes sobre a cientologia?”, perguntou o seguidor. “Isso não é realmente verdade sobre a cientologia. A liberdade religiosa e a tolerância são extremamente importantes para mim”, escreveu a atriz.

Porém, o levantamento da BBC aponta que o principal prejudicado pela doutrina restrita é o ator John Travolta, uma das primeiras personalidades públicas a assumir a conversão. Ele já teria manifestado o desejo de sair, porém, após anos de auditorias e confissões, o astro de "Pulp Fiction" seria chantageado com medo de que os segredos de sua vida pessoal se tornem públicos.


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