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Filha de Leopoldo II e alvo de casamento fracassado: a saga conturbada de Estefânia, princesa da Bélgica

Além de lidar com o descaso do pai, a princesa passou por um casamento turbulento, que resultou em abalos emocionais ao longo da vida

Penélope Coelho Publicado em 08/04/2020, às 12h44

Estefânia - Princesa da Bélgica
Estefânia - Princesa da Bélgica - Wikimedia Commons

Estefânia Clotilde Luísa Hermínia Maria Carlota da Bélgica nasceu em 21 de maio de 1864, filha do rei Leopoldo II da Bélgica, com a arquiduquesa Maria Henriqueta da Áustria. Seu avô paterno foi Leopoldo I, o primeiro rei dos belgas. Desde criança ela se deparou com problemas familiares, o casamento de seus pais não estava indo bem, e eles mantinham uma relação infeliz.

Seu pai era um homem calado e sério, enquanto sua mãe não gostava muito das regras da monarquia e tinha um temperamento turbulento. Estefânia vivenciou diversas traições descaradas de seu pai, enquanto Henriqueta ganhava popularidade com os súditos. No entanto, ela decidiu abdicar da vida de monarca e fugiu para viver perto da região das Ardenas.

Leopoldo II não dava muita atenção para suas duas filhas, a educação de Estefânia e de sua irmã mais velha - a Princesa Luísa Maria, foi deixada de lado. O rei decidiu participar da criação somente de seu filho homem, o príncipe Leopoldo, Duque de Brabante.

O rei era um homem difícil e cometeu diversos erros ao longo de sua vida. Durante anos, ele manteve o Congo - país africano, como sua propriedade privada. Essa determinação aconteceu na Conferência de Berlim (de 15 de novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885) e permaneceu até o início do século 20. Tamanha violência contra os nativos fez o episódio ser conhecido como o Holocausto esquecido da África.

Já Estefânia, sentindo-se sozinha e pouco compreendida desde então, ainda sofreu mais um choque, quando seu irmão contraiu pneumonia e faleceu. O rei Leopoldo II nunca se recuperou e ficou ainda mais distante. Na busca por mais um filho homem, ele se reconciliou com Maria Henriqueta, mas, o resultado foi o nascimento da Princesa Clementina em 1872. Depois disso, ele perdeu o interesse por sua família de uma vez por todas, e se dedicou às suas amantes.

Fase adulta

Nessa vida infeliz, sem receber muito carinho, a história de Estefânia não melhorou com o tempo. Sua irmã casou-se com um homem severo, e elas ficaram distantes por um longo período. Não demorou muito para que seu pai arranjasse um casamento para ela também. Em março de 1880, Rodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria, foi se reuniu com Leopoldo II na Bélgica. 

Ele chegou a Bruxelas no dia 5 de março para conhecer a princesa Estefânia, na época com 15 anos. Em uma carta, Rodolfo escreveu para sua mãe, a Imperatriz Isabel, que ele havia encontrado tudo o que procurava em uma mulher, dizendo que Estefânia era bonita, boa e inteligente. Para ficar com a princesa, ele recusou três pretendentes e sob pressão eles anunciaram o noivado em 7 de março. A união tão rápida foi aprovada somente pelo pai de Rodolfo e pelo rei Leopoldo II.

Princesa Estefânia e o príncipe Rodolfo na fotografia oficial do noivado / Crédito: Wikimedia Commons

 

O casamento

Estefânia foi enviada para Viena com o objetivo de aprender a etiqueta da corte real e ser preparada para seu casamento. No entanto, quando suas damas de companhia perceberam que a menina ainda não havia chegado à puberdade, ela foi humilhada e mandada de volta para a Bélgica. Estefânia se casou com Rodolfo alguns anos depois, aos 17 anos. A festa foi grande com diversos convidados da monarquia. O casamento foi feliz no início, mas, isso durou pouco e logo vieram os impasses.

A personalidade de Rodolfo era impulsiva e muito liberal - já a de Estefânia era mais conservadora e séria, eles divergiam muito na criação da única filha do casal, a arquiduquesa Isabel Maria da Áustria. A mãe de Rodolfo também era um problema, ela nunca gostou da princesa.

A relação entre Estefânia e Rodolfo se desfez rapidamente. Em 1886, ele infectou Estefânia com gonorreia e desde então ela não conseguiu mais engravidar. Ambos começaram a buscar relações fora do casamento.

Estefânia com sua filha Isabel Maria, em 1885 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Algo marcante na vida de Estefânia aconteceu em 1889, quando Rodolfo e a sua amante, a baronesa Maria Vetsera foram encontrados juntos e mortos - por um pacto de assassinato e suicídio que ficou conhecido como o Incidente de Mayerling.

Apesar do choque inicial, Estefânia tentou ser feliz mais uma vez, e contrariando sua família casou-se novamente. A união foi com o conde húngaro Elemér Lónyai. Aos 81 anos, em 23 de agosto de 1945, a princesa Estefânia faleceu, em Pannonhalma, no oeste da Hungria, para onde fugiu com o marido quando o Exército Vermelho cometeu ataques contra o seu país de origem.


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