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Semana sangrenta: O episódio que terminou no massacre da Comuna de Paris

Há 148 anos, encerrava-se a semana de batalhas sangrentas na capital francesa, resultando no fim da primeira experiência comunal moderna

André Nogueira Publicado em 18/03/2019, às 19h00

Comuna
Comuna - Crédito: Reprodução

Entre os dias 21 e 28 de maio de 1871, a cidade de Paris passou pela semana mais insólita de sua história. Marcando os últimos suspiros da Comuna de Paris, a semana foi marcada pela constante guerra entre os revoltosos que ocuparam a cidade e o exército representando as forças de Versalhes. No dia 28 de maio, fim dessa semana, a Comuna de Paris foi completamente destruída.

O conflito começou em 26 de março, quando uma liga revolucionária, de forma espontânea, uniu jacobinos, comunistas, anarquistas e patriotas  durante a ocupação da prefeitura de Paris, levando à tomada da cidade e à construção de uma comuna autônoma e anticapitalista. O clima era de derrota na Guerra Franco-prussiana numa França pós-revolucionária marcada pela pobreza e a expansão da Revolução Industrial.

Barricada no centro de Paris / Crédito: Wikimedia commons

 

A retomada da cidade, plano do governo de Versalhes, deu inicio à Semana Sangrenta. Na noite do dia 21 de maio, as tropas do Exército francês, a comando do governo de Adolphe Thiers, invadiram o local e deram inicio a campanha de expansão sobre os revoltosos.

No início, a entrada foi fácil e com pouca resistência popular, mas logo ficou claro que a tomada da cidade seria o fim de tudo o que construíram e possivelmente de suas vidas, conduzindo a maioria aos frontes de batalha.

Os militantes da Comuna encheram a cidade de barricadas feitas de pedras, madeira e sacos de areia. Usando as armas disponíveis, ofereceram resistência ao plano francês de retomada da normalidade, depois da aprovação de leis revolucionárias a favor do povo.

A Semana Sangrenta foi um massacre / Crédito: Reprodução

 

Bairro a bairro, as tropas francesas avançavam enquanto os revoltosos ateavam fogo nos edifícios na tentativa de pará-los. Enquanto isso, muitos morriam em batalhas ou nos pelotões de fuzilamento do exército. Ao passo que a Comuna sentenciou 500 inimigos políticos à morte, o exército abateu mais de 25 mil pessoas entre 21 de maio e a retomada da normalidade institucional meses depois.

A luta durou até 28 de maio, quando o Exército tomou o último recanto da resistência. Com isso, a guerra acabou - mas não as mortes e a repressão - assim como a Comuna de Paris.

Marcando a história dos movimentos de esquerda, o episódio foi responsável por um dos maiores polos de resistência à França conservadora de Napoleão III e à exploração industrial e campesina. A Semana Sangrenta foi a prova de como um governo como o da França faria de tudo para impedir esse tipo de progresso.