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Herdeiro abandonado: o misterioso Príncipe John do Reino Unido

Mais novo entre os seis filhos do Rei George V, o pequeno teve uma infância solitária e um fim triste, isolado de toda a família

Pamela Malva Publicado em 06/06/2020, às 09h00

O pequeno Príncipe John do Reino Unido
O pequeno Príncipe John do Reino Unido - Wikimedia Commons

Governante do Reino Unido desde maio de 1910, o Rei George V enfrentou seu primeiro desafio político quando a Primeira Guerra Mundial começou. Em sua vida pessoal, contudo, ele tinha mais uma coisa com que se preocupar.

Nascido em julho de 1905, em Sandringham Estate, o pequeno Príncipe John era animado, extrovertido e cativante, mas lutava com uma condição misteriosa. Mais novo entre os seis filhos de George V e Mary, a princesa de Gales, John também era autista.

Desde o nascimento, por ser o sexto na linha de sucessão do trono inglês, o menino já era dono do título de Sua Alteza Real. Também conhecido como Johnnie, o pequeno era dono de bochechas vermelhas e uma personalidade autêntica.

John (sentado à esquerda) e seus outros 5 irmãos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bebê Real

Durante toda a primeira infância, John viveu com seus pais e irmãos em Sandringham e cresceu frequentando aulas de etiqueta padrões para a época. Quando ainda criança, criou um forte vínculo com Charlotte “Lala” Bill, sua babá.

Por ser o mais novo, o pequeno príncipe acabou fugindo do rigor do pai e, assim, tornou-se o mais desobediente da família. John, contudo, nunca deixou de ser um garotinho encantador e divertido, a pupila dos olhos da mãe.

Em 1909, quando tinha apenas quatro anos, John passou por um episódio que mudaria sua vida e, possivelmente, seu destino. Ele sofreu sua primeira convulsão epiléptica e demonstrou os primeiros sinais de uma deficiência.

Com o passar dos anos, as condições do príncipe apenas pioraram e, quando seu pai assumiu o trono britânico, John nem mesmo compareceu à coroação. A vida normal, agora, representava um forte risco ao menino.

O pequeno John em fotografia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um caso complicado

Quanto mais doente ficava, o príncipe apresentava comportamentos repetitivos e típicos do autismo. John não entendia que precisava se comportar e parou de aparecer em eventos públicos aos 11 anos. Enquanto seus irmãos iam até a escola, ele ficava em casa com sua babá.

Nessa rotina, John mal via seus pais, que viajavam com frequência para desempenhar funções oficiais, e não mais interagia com os irmãos. Os anos passaram, alguns dos herdeiros foram para internatos e outros se alistaram nas forças armadas.

Em 1916, cada vez mais doente, John foi enviado para a Wood Farm. Na fazenda, ele ficaria sob os cuidados da babá e os outros criados. O último retrato dele foi pintado em 1913. A educação do menino foi encerrada e todos os seus tutores foram dispensados.

À essa altura, os médicos da Família Real sabiam que o menino nunca chegaria na idade adulta. Apaixonado pelo jardim da avó, John sentia-se sozinho na fazenda e ansiava por qualquer companhia que não fosse Charlotte.

John (de branco) no colo do irmão George / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um fim colorido

Com pena do filho, que vivia sozinho, a Rainha Mary decidiu permitir que os filhos de seus criados passassem a morar na fazenda de Wood Farm. Assim, John passou a brincar com os filhos dos cocheiros, das domésticas e de outros empregados.

Segundo Charlotte, a babá do menino, no entanto, seu quadro de saúde nunca realmente melhorou. John tinha ataques epilépticos frequentes e, por vezes, tinha de ficar sozinhos para melhorar.

No dia 18 de janeiro de 1919, a pior das convulsões levou a vida de John enquanto ele ainda dormia. Para Edward, o irmão mais velho de John, o falecimento do irmão era “pouco mais que um incômodo lamentável”.

Onze anos mais velho que o pequeno príncipe, o herdeiro ao trono mal conhecia John e, em uma carta à sua amada, escreveu: “o pobre garoto se tornara mais um animal do que qualquer outra coisa”. Para o Rei e a Rainha, no entanto, a morte de John foi um ato de misericórdia divina. “Ele foi poupado de muito sofrimento”, escreveu Mary.


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