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O desaparecimento de Walter Collins: a mãe que recebeu um "impostor"

Após o misterioso sumiço de seu filho, Christine Collins sofreu os piores horrores possíveis por não aceitar uma mentira do Estado

Pamela Malva e Daniela Bazi Publicado em 14/06/2020, às 09h00

Walter Collins (a esquerda) e o impostor (a direita)
Walter Collins (a esquerda) e o impostor (a direita) - Domínio Público

Quando recebeu um estranho telefonema de uma jovem, o cônsul dos Estados Unidos no Canadá não imaginou que reiniciaria as investigações de um dos casos mais horrendos da história dos EUA. Muito menos que o caso, no final das contas, tomaria o rumo que tomou.

Tudo começou em 1928, quando a polícia de Wineville, do estado americano da Califórnia, encontrou a cabeça de um adolescente dentro de um saco, em uma vala. Sem solução, o caso teria caído no esquecimento se não fosse uma série de ligações.

Quando o cônsul americano atendeu ao telefone, foi recebido pela voz em pânico de Jessie Clark, de 19 anos. A garota explicou que havia retornado ao Canadá depois de visitar o irmão na Califórnia e que ficou preocupada com uma narrativa que ele teria lhe contado.

Segundo a jovem, seu irmão, Sanford Clark, de 15 anos, trabalhava no rancho de seu primo, Gordon Stewart Northcott, de 19. Durante a visita, mesmo com certa resistência do dono da fazenda em deixar os irmãos sozinhos, Jessie explicou que conseguira falar a sós com Sanford.

Durante essa conversa, o jovem teria contado à irmã que, além de Gordon abusar sexualmente dele, o primo ainda era um assassino. Depois de descobrir a história, a jovem teria voltado para casa, aterrorizada e, uma vez no Canadá, fez o contato com o cônsul.

Com a história em mãos, o diplomata passou todas as informações ao Departamento de Polícia de Los Angeles em outra ligação. Estavam abertas as investigações do caso que ficou conhecido como Wineville Chicken Coop Murders (Assassinatos do galinheiro de Wineville, em portugês).

O caso

Entre os anos 1926 e 1928, Gordon Northcott teria matado vários jovens em sua fazenda. O número exato de vítimas nunca foi descoberto, mas alguns nomes foram surgindo durante as investigações do crime.

Walter Collins, por exemplo, é um deles. O garotinho havia desaparecido em março de 1928, quando ia ver um filme. Segundo Sanford Clark, Gordon manteve o jovem em seu rancho até que a família do menino começou a procura-lo. Identificando o movimento da polícia, o suspeito teria matado Walter.

Para sua irmã, Sanford ainda relatou o assassinato de outros dois garotos e de mais um funcionário da fazenda, um mexicano em quem Stewart atirou e, em seguida, decapitou. Descobriu-se, depois, que o jovem, na verdade, era Alvin Gothea, supostamente o mesmo garoto que foi encontrado na vala.

Walter Collins

O garoto desapareceu na tarde do dia 10 de março de 1928, aos nove anos, quando ia para o cinema sozinho com o dinheiro que recebeu de sua mãe, Christine Ida Collins.

Ao perceber a demora do filho, Christine começou as buscas por conta própria, e com a ajuda de informações dos vizinhos. Porém, não obteve sucesso e, cinco dias após o sumiço relatou o caso à polícia local. Em pouco tempo, o desaparecimento de Walter ganhou reconhecimento e seu rosto estava estampado nos principais jornais.

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Retrato de Walter Collins / Crédito: Domínio Público

Após cinco meses de investigação, ainda não existiam pistas sobre o paradeiro do garoto. Christine, apesar motivar os policiais a continuarem na busca de seu filho, não conseguia trabalhar, dormir e mal se alimentava. A mulher chegou a perder cerca de 10 quilos durante esse tempo.

Walter foi uma peça chave no caso de Gordon Northcott, já que, ao mesmo tempo em que conectavam seu nome ao do assassino, outro menino apareceu em Illinois, fingindo ser o jovem desaparecido desde 1928.

Grata por ter seu filho de volta, Christine Collins teria levado o suposto Walter para casa, após um grande reencontro público organizado pela polícia, com a intenção de reverter a má repercussão que vinham tendo por não conseguirem solucionar o caso.

No entanto, alguns dias depois ela voltou à polícia de Los Angeles, alegando que o estranho não era filho dela. Sob a enorme pressão para resolver tanto o caso de Gordon, quando o do desaparecimento, o capitão J.J. Jones não acreditou nas alegações da mulher.

Testes foram feitos com o menino que se dizia Walter e, a partir da sua arcada dentária, descobriu-se que o garoto era, de fato, um impostor. Mesmo assim, a polícia de Los Angeles mandou Christine para uma ala psiquiátrica, por alegar que aquele não era seu filho.

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Christine Collins com o impostor / Crédito: Domínio Público

O impostor, mais tarde, confessou que ele não era Walter Collins, e que o personificou porque queria entrar no cinema em Hollywood. A essa altura, no entanto, já era tarde demais para o verdadeiro Walter.

Investigações

Assim que a polícia entrou em ação, Gordon Northcott e sua mãe, Sarah Louise Northcott — que sabia de todos os crimes —, tentaram fugir. No entanto, foram presos no Canadá e, em seguida, extraditados para os Estados Unidos para julgamento. Já no rancho, a polícia fazia diversas escavações para encontrar restos humanos enterrados sob o galinheiro.

Em seu depoimento, Northcott confessou apenas o assassinato de Alvin Gothea. Em uma tentativa desesperada de proteger seu filho, Sarah alegou ter matado Walter Collins, cujo corpo nunca foi encontrado. Ainda mais, quando entrou em julgamento, a mãe alegou que seu filho assassino havia sofrido com o relacionamento incestuoso entre o marido e a filha deles. A versão nunca foi comprovada.

Escavações durante as investigações / Crédito: Biblioteca Pública de Los Angeles

 

Gordon Northcott foi condenado à morte pelos assassinatos de três garotos e enforcado em 1930. Sarah acabou sendo condenada pela morte de Walter Collins e recebeu a sentença de prisão perpétua. Os crimes foram tão horrendos que, no mesmo ano, os cidadãos decidiram mudar o nome da cidade de Wineville para Mira Loma.


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