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Luis Carlos Galán: O fatídico atentado contra o inimigo número um dos cartéis colombianos

O candidato a presidente liderava as intenções de voto no momento de sua morte — que teve as mãos de Escobar por trás de seu homicídio

Caio Tortamano Publicado em 11/02/2020, às 17h04

Luis Carlos Galán
Luis Carlos Galán - Getty Images

Em 18 de agosto de 1989, um assassinato abalou a sociedade colombiana que sofria há anos com a violência institucionalizada em seu país. Luis Carlos Galán Sarmiento foi morto a tiros pouco antes de um discurso durante um evento público em Soacha.

Galán era uma das principais faces do partido liberal da Colômbia, e estava na frente das pesquisas eleitorais da época. O ataque foi atribuído ao cartel de Medellín, liderado pelo icônico traficante Pablo Escobar, que, em uma aliança com concorrentes políticos, tentou frear a guinada política dos liberais que não se curvavam aos pedidos do narcotráfico.

Antes de sua morte, ainda no mesmo mês, Galán tinha sofrido outro atentado durante uma conferência na Universidade de Antioquia. O ataque, entretanto, deu errado. O plano era atingir o político com uma bazuca, mas uma mulher reportou à polícia que havia três homens suspeitos dentro de um carro.

Os capangas de Escobar foram encontrados pelo oficial de polícia Valdemar Franklin Quintero, que foi reconhecido devido aos seus serviços prestados em função da segurança das pessoas. No mesmo dia da morte de Galán, Quintero também foi assassinado.

Logo quando chegou em Soacha, Luis Carlos se dirigiu para onde daria o seu discurso. Chegando lá, começaram os tiros, dos quais cinco atingiram o candidato. Os autores dos disparos foram, Jaime Eduardo Rueda Rocha e Henry de Jesús Pérez.

Porém, todo o plano foi arquitetado pelo paramilitar Carlos Castaño Gil, o político Alberto Santofimio Botero e os narcotraficantes Gonzalo Rodríguez Gacha — O Mexicano — e Pablo Escobar.

Estátuda de Galán no Conselho de Bogotá / Crédito: Wikimedia Commons

 

Luis Carlos era inimigo declarado dos cartéis do país, uma de suas promessas de campanha, inclusive, foi a de extraditar os maiores traficantes do país para os Estados Unidos, onde a chance de permanecerem presos por um maior tempo era bem grande.

Galán foi vítima de uma conspiração muito bem elaborada, o esquema de segurança do político foi alterado dias antes de sua chegada. O comandante do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia, Miguel Maza, nomeou o inexperiente tenente Jacobo Torregrosa como chefe de segurança do candidato a presidente.

Torregrosa, por sua vez, designou novatos para o trabalho de segurança, e permitiu que sicários de Escobar se infiltrassem no esquema de segurança.  O tenente teria afirmado que realizou um esquema de segurança rigoroso, mas investigações levaram ao fato de que não havia controle de armas e nem das pessoas que atenderam ao evento.

O tenente Torregrosa não estava no palanque na hora do atentado, e ficou desaparecido após o acidente, deixando muitas perguntas a serem respondidas. Embora motivações e mandantes não tenham sido questionados, a ideia dos traficantes não se concretizou, pois quem viria a ser eleito presidente foi o vice de Galán, César Gaviria.


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