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Representatividade importa: conheça Mary Beatrice, a mulher negra que criou o absorvente

Após repercussão do BBB 21, pautas raciais ganham força nas redes sociais; confira a emocionante história da mulher que enfrentou o racismo e machismo do século 20

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 07/04/2021, às 19h00

Mary Beatrice, inventora do absorvente
Mary Beatrice, inventora do absorvente - Divulgação / Youtube / ONYX ZONE

Na noite da última terça-feira, 6, o apresentador do Big Brother Brasil 21, Tiago Leifert, aproveitou a grande audiência do programa — transmitido pela Rede Globo — para abordar a importância de assuntos raciais. O debate ressurgiu nas redes sociais, após um episódio envolvendo alguns participantes do reality.

O assunto começou a ser repercutido nas redes sociais no último sábado, 03, após Rodolffo receber uma peruca da produção para cumprir o chamado 'Castigo do Monstro'. Na ocasião, o cantor sertanejo comparou a peruca ao cabelo de João Luiz.

No programa transmitido ao vivo na última segunda-feira, 05, o professor de geografia apontou, durante o 'Jogo da Discórdia', que teria ficado incomodado com a comparação feita pelo até então colega de reality, Rodolffo. 

Como noticiou o portal TV Foco, durante o programa desta terça-feira, 06, Tiago Leifert, entrou ao vivo e conversou com os demais participantes sobre a importância cultural da representatividade negra. “Eu não vejo maldade no que você fez e, ao mesmo tempo, legitimo a dor do João. Porque tem milhares de meninos e meninas pretos e pretas que sentem a dor que o João sentiu”, ressaltou o apresentador, durante seu discurso. 

Tal fato evidênciou a importância histórica do cabelo black power e da luta do movimento negro ao redor do mundo. Tiago Leifert citou, ainda, momentos emblemáticos da História em que pessoas negras sofreram discriminação racial. Por outro lado, o apresentador também reforçou a luta incansável dessas pessoas. 

A saga de Mary Beatrice

Vale ressaltar que tal temática não é algo recente, mas sim um debate que dura anos. Ao longo da História, diversas pessoas negras foram esquecidas ou silenciadas, como foi o caso de Mary Beatrice, mulher negra responsável por criar o absorvente.

Invenção de Mary Beatrice / Crédito: Divulgação / Youtube / ONYX ZONE

 

Durante uma pesquisa minuciosa, a biógrafa Zing Tsjeng identificou diversas incoerências históricas em múltiplas invenções e concluiu que várias delas foram atribuídas à homens, em sua maioria, brancos.

Mary Beatrice Davidson Kenner, por sua vez, nasceu em 1912, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Sua família foi responsável por diversas criações que impactaram a humanidade, como seu avô materno, que inventou o sinal de luzes tricolor — utilizado para guiar trens. Além disso, sua irmã, Mildred Davidson, patenteou o jogo de tabuleiro.

Inteligente e criativa, Mary Beatrice seguiu os passos da família. A inventora passava horas acordada durante a madrugada construindo objetos. Sua genialidade lhe rendeu uma vaga na renomada Universidade de Howard, em 1931. Contudo, infelizmente, em decorrência de problemas financeiros, a jovem teve que abandonar os estudos, um ano após ingressar na faculdade.

Segundo o site Hypeness, embora a inventora fosse extremamente criativa, ela enfrentou um dos maiores obstáculos impostos pela sociedade: ser uma mulher negra. Devido ao racismo estrutural, a jovem foi levada a trabalhar como babá, mas nunca deixou de lado suas invenções.

A invenção 

Em 1956, Mary já havia juntado algumas economias que lhe ajudaram a patentear sua maior invenção: o absorvente. O objeto consistia em um cinto para guardanapos sanitários — espécie de absorventes utilizados até a década de 1960. A invenção foi um sucesso, pois diminuía os riscos da menstruação vazar.

Documento sobre a invenção de Mary Beatrice / Crédito: Divulgação / Youtube / ONYX ZONE

 

No entanto, de acordo com a Revista Galileu, a inventora nunca recebeu recompensas ou lucros sobre a invenção do absorvente. Ainda segundo o site, logo que a patente expirou, sua criação tornou-se de domínio público.

Conforme divulgou o site Hypeness, a autora da obra Forgotten Women (Mulheres Esquecidas, em tradução livre), Zing Tsjeng, disse que Mary enfrentou dificuldades de contatar acionistas, que desmarcavam as reuniões logo que descobriam que ela era uma mulher negra.

“Houve milhares de mulheres inventoras, cientistas e tecnológicas. Mas elas nunca receberam o reconhecimento que mereciam”, revelou a escritora em um artigo à Vice.

Mary Beatrice faleceu em 2006, mas, antes, revelou toda sua trajetória para a escritora, que, após ouvir o emocionante relato, decidiu compilar esta e outras história em sua obra, com o intuito de denunciar uma sociedade preconceituosa que exclui minorias.


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