Matérias » Rússia

Pedro III: O czar que sentenciou um rato à forca

O marido de Catarina, a Grande, nem deu direito de defesa ao animal

Thiago Lincolins Publicado em 31/01/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de um rato e uma forca
Imagem ilustrativa de um rato e uma forca - Shutterstock

Catarina, a Grande, ao entrar nos aposentos reais de seu marido, Pedro III, da Rússia, encontrou uma cena um tanto arrepiante: havia um rato morto pregado na parede. Instigada e incomodada, questionou o cônjuge sobre as razões de o bicho ter sido colocado ali. O imperador, então, respondeu: “Este rato cometeu um grande crime. E, de acordo com as leis de guerra, mereceu pena de morte." O motivo é tão bizarro quanto a cena que Catarina presenciou. 

Aos 15 anos, a czarina Isabel convidou Frederica Sofia para conhecer seu sobrinho, o príncipe herdeiro Pedro III, neto de Pedro, o Grande. Isabel achava que ela seria mais dócil que uma nobre de alta linhagem para se casar com o futuro czar. Ledo engano! Para realizar a boda, Sofia se converteu à fé ortodoxa e passou a se chamar Catarina. Mas o casamento, selado em 1745, logo azedou.

Pedro III e Catarina, a Grande / Crédito: Wikimedia Commons

Além de obcecado pela disciplina prussiana, Pedro era imaturo e impotente. Era como uma criança no corpo de um homem. A imaturidade era comprovada pela sua obsessão por brinquedos.

Rato enforcado

Embaixo de sua cama, Pedro III escondia uma caixa com inúmeros brinquedos, a maioria de variedade militar. Quando a esposa não estava em casa, ou quando dormia, ele montava formações militares, cenas de batalha e brincava com soldadinhos. Em um desses momentos, o pobre rato encontrou seu fim.

De acordo com as memórias de Catarina, a Grande, presentes na obra O Império da Rússia: A Ascensão e o Poder Presente, de John Abbott, quando o imperador afirmou que o rato havia cometido um crime de guerra, ele se referiu ao fato de o bicho ter invadido a sua fortaleza e devorado dois de seus soldadinhos. De acordo com a imperatriz, Pedro III agiu como se tivesse perdido um de seus familiares.

O imperador / Crédito: Wikimedia Commons

Depois de capturado, o rato foi julgado e sentenciado à morte por enforcamento. O imperador construiu até uma pequena forca para executar a pena. Em seguida, deixou o animal pregado na parede – ali ficaria por três dias como exemplo público.

Todavia, o imperador não teve o mesmo fim que o rato. Quando Pedro III assumiu o trono, Catarina sentiu que o marido a deixaria para se casar com outra. Mandou, então, seu amante Grigori Orlov, membro da guarda imperial, dar cabo do czar. Em junho de 1762, o imperador foi preso e forçado a abdicar. Foi levado para Ropsha, em São Petersburgo, onde teria sido assassinado no dia 17 de julho.

Catarina II se tornou imperatriz, estabilizou o reino e conquistou prestígio entre os europeus. Também abocanhou terras da Turquia, coisa que nem Pedro, o Grande, havia feito.


+Saiba mais sobre o tema com as obras abaixo:

Rússia. Ascensão e Queda de Um Império. Uma História Geopolítica e Militar da Rússia, dos Czares ao Século XXI, João Fábio Bertonha (2009) - https://amzn.to/317vmKl

Catarina, a grande: Retrato de uma mulher (Os Romanov), Robert K. Massie (2012) - https://amzn.to/2uJxuf8

Rússia de todos os czares: versão comentada da Rússia à União Soviética, Antonio Carlos Gaio (2013) - https://amzn.to/3aXWArm

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.