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Joias e menção a Nefertit: o valioso naufrágio de Uluburun

O naufrágio chegou a ser considerado um dos mais importantes para o avanço da arqueologia

Giovanna de Matteo Publicado em 20/09/2020, às 08h00

Réplica fiel do Uluburun
Réplica fiel do Uluburun - Divulgação / Instituto de Arqueologia Náutica (INA)

O mergulhador Mehmed Çakir saiu para trabalhar em um dia de 1982, sem saber que estava prestes a fazer uma descoberta impressionante. Nadando ao largo da costa do Uluburun (Grand Cape), perto de Kaş, no sudoeste da Turquia. Numa encosta rochosa a uma profundidade de 44 a 52 metros, ele encontrou um impressionante naufrágio de 3.300 anos. 

Estupefato, Çakir sabia que estava diante de um momento único. Ao lado do Instituto de Arqueologia Náutica, conduziu a partir do achado onze expedições que duraram de três a quatro meses, concluindo inúmeros mergulhos entre os anos de 1984 e 1992, numa área que englobou cerca de 61 metros, onde diversos artefatos estavam espalhados.

O naufrágio de uluburun se tornou fonte de uma gigantesca pesquisa e expedição, ganhando fama ao longo do tempo por ser um dos navios mais antigos já descobertos. Além disso, as descobertas feitas a partir dele foram surpreendentes: ele trazia por toda a região do Mediterrâneo um conjunto de artigos dos mais ricos, que datam da Idade do Bronze Final.

Réplica em tamanho real do navio exposto no Museu de Arqueologia Subaquática de Bodrum / Wikimedia Commons

 

Acredita-se que a embarcação teria recebido uma ordem real para navegar, pois sua carga chegava a mais de 20 toneladas de itens comerciais, em que os pesquisadores conseguiram recuperar mais de 18.000 peças raras que provinham do mundo todo, um grande achado arqueológico. A carga também corresponde a muitos dos presentes reais listados nas cartas de Amarna, encontradas em El-Amarna, no Egito.

Os pesquisadores conseguiram identificar esses materiais e descobriram que eles pertenciam a sete culturas diferentes: os micenas, sírio-palestinianas, cipriotas, egípcias, Kassites, assírias e núbias. 

Entre inúmeras matérias-primas e manufaturados, alguns entraram para a história. Do Uluburun saíram os mais antigos itens de vidro já conhecidos desde então e quase 10 toneladas de cobre. O navio também carregava especiarias, incluindo madeira africana para a produção de incensos, cascas de ovos de avestruz e carcaças de tartarugas, presas de animais, cosméticos, essencias, diversas pedras e joias cananeias luxuosas, entre muitos outros.

Inicialmente, os objetos mais famosos dessa escavação foram inicialmente, uma imensa coleção de cerâmica cipriota e uma estátua feminina trabalhada em bronze e ouro, mas o que impressionou mesmo os pesquisadores foi um escaravelho que apresentava uma moldura ornamental com o nome da rainha egípcia Nefertiti.

Escaravelho da rainha Nefertiti /  Divulgação / Instituto de Arqueologia Náutica (INA)

 

 

As descobertas sugerem que o navio partiu de uma região cipriota ou siro-palestino, navegando através de uma rede de comércio global que levava presentes da realeza no Oriente, não sabendo concretamente qual seria seu destino final.

O Uluburun foi muito importante para a comunidade arqueológica, sendo considerado um dos naufrágios mais espetaculares, por ter fornecido uma quantidade colossal de artefatos que puderam iniciar diversas pesquisas a respeito das civilizações antigas e comportamentos socioculturais dos povos do mediterrâneo da Idade do Bronze.

Expondo como eram feitos as construções dos navios da época, esclarecendo informações também a respeito das práticas econômicas e comerciais que usavam de rotas marítimas exclusivas na troca de matérias-primas e bens de luxo.

Artefatos luxuosos expostos no Museu de Arqueologia Subaquática de Bodrum / Wikimedia Commons

 

Com o fim da escavação em setembro de 1994, os estudos focam desde então na conservação, análise e exibição dos artigos, realizada no laboratório de conservação do Museu de Arqueologia Subaquática de Bodrum, na Turquia.


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