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Michael Donald, o jovem de 19 anos que foi linchado pela KKK

O caso foi um dos últimos dessa natureza que ocorreram nos Estados Unidos e conseguiu levar a organização supremacista à falência

Wallacy Ferrari Publicado em 01/06/2020, às 08h00

Retrato fotográfico de Michael Donald
Retrato fotográfico de Michael Donald - Wikimedia Commons

Nascido em 1961, durante uma transição de leis de direitos civis aos negros no estado do Alabama, Michael Donald era o caçula de seis filhos e morava na cidade de Mobile, onde frequentou escolas locais e enfrentou a reclusão durante a adolescência em decorrência do racismo estrutural presente no sul do país com ainda mais força durante o século 20.

Ao concluir o colegial, o jovem ingressou em uma faculdade técnica e conseguiu um emprego em um jornal local. Aos 19 anos, a liberdade que havia conquistado com a boa carreira acadêmica e profissional garantiu a confiança dos pais, que não se preocupavam com as saídas do filho mais novo.

Na noite de 21 de março de 1981, no entanto, uma rápida saída de Michael para comprar um maço de cigarros para sua irmã mudaria a história da cidade para sempre. Despreocupado, o jovem foi abordado por outros rapazes brancos em um carro, que solicitaram informações sobre um clube local e, em seguida, forçaram sua entrada no veículo.

Henry Heys (à esq.) e uma reunião da United Klans of America (á dir.) / Crédito: Divulgação

 

O motivo do ódio

Em uma reunião durante a tarde, membros do United Klans of America manifestaram incômodo na demora do judiciário em condenar Josephus Anderson pelo assassinato de um policial branco na cidade de Birmingham, também no Alabama. De acordo com os membros, o fato de haver membros negros compondo o júri acabaria inocentando o homem.

Como protesto, os membros queimaram uma cruz de 1,5 metros no jardim do tribunal e, após o ato, dois membros — Henry Hays, 26, e James Knowles, 17 — não satisfeitos, saíram pela cidade procurando algum homem negro para atacar. A vítima seria Michael Donald, que foi levado à força para uma floresta em um município vizinho.

Donald chegou a entrar em luta corporal com os rapazes e conseguiu desarmar Hays, fugindo para a floresta. Knowles, no entanto, conseguiu alcançar o jovem e, juntos, os garotos brancos desferiram diversos golpes com o auxílio de um grosso galho de árvore encontrado no matagal. Após ter uma corda enrolada em seu pescoço, foi arrastado e levou três cortes na garganta antes de ser pendurado em uma árvore pelos rapazes.

Memorial instalado na cidade de Mobile em homenagem a Michael Donald / Crédito: Divulgação

 

Quase impune

A polícia da cidade vizinha inicialmente não relacionou a morte de Michael com a cruz carbonizada em Mobile; inicialmente, três outros homens negros com histórico no tráfico de drogas regional foram conduzidos a delegacia, mas foram libertados após a mãe de Donald, Beulah, solicitar o auxílio do ativista nacional reverendo Jesse Jackson ao ter certeza que o filho não tinha envolvimento com drogas.

O caso chegou às mãos do FBI e permaneceu inconclusivo até 1983, com a possibilidade de ser encerrado sem um culpado após a primeira investigação. Porém, o procurador assistente Thomas Figures solicitou um novo inquérito, que finalmente alcançou Henry Hays e James Knowles, com mais de dois anos após o ato. Sem manifestar arrependimento, os jovens confessaram o crime

Com evidências adicionais no processo iniciado em 1984, um motorista de caminhão e o pai de Henry, Bennie Hays, foram indiciados como cúmplices. James concordou em testemunhar contra Hays para evitar a pena de morte, sendo condenado a prisão perpétua — mas acabou solto em 2010, com condições especiais. Já o comparsa foi sentenciado à morte e executado na cadeira elétrica em 1997.

Beulah também recebeu 7 milhões de dólares em um processo movido contra a United Klans of America, levando o grupo segregacionista à falência. Hays é o único membro conhecido da Ku Klux Klan no século 20 que foi executado em decorrência ao assassinato de um homem afro-americano.


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