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Morto aos 7 anos: a melancolia de Luís José, filho de Maria Antonieta

Como o primeiro filho homem da rainha consorte com Luís XVI, o menino tinha uma saúde muito frágil e foi vítima de uma doença fatal, inicialmente ignorada pelos pais

Pamela Malva Publicado em 21/07/2020, às 13h53

Retrato de Luís José quando ainda pequeno, em 1784
Retrato de Luís José quando ainda pequeno, em 1784 - Wikimedia Commons

Em meados de 1780, a expectativa de vida na França era consideravelmente baixa. Naquela época, durante o reinado do imponente rei Luís XVI, o povo vivia pouco mais do que 40 anos — nível que, com a chegada dos anos 2000, mais do que dobrou.

Por menor que fosse essa idade, no entanto, ninguém esperava pela trágica morte de Luís José, o segundo filho do regente francês. Nascido no Palácio de Versalhes, o menino tinha todo o luxo do país ao seu dispor, mas sentia falta de uma saúde de ferro.

Dono de cabelos loiros brilhantes e pequenos olhos azuis, como os da mãe, Louis era o segundo herdeiro do rei com Maria Antonieta. Irmão de Maria Teresa Carlota, contudo, ele era o primeiro filho homem e, assim, o próximo na linha de sucessão.

Luís José (no canto direito, em pé) junto de Maria Antonieta e seus irmãos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um sucessor de ouro

No dia 22 de outubro de 1781, Maria Antonieta não poderia estar mais satisfeita com o parto. Após dar à luz uma menina, ela sonhava em conceder um filho homem para seu marido, que era constantemente pressionado em relação aos seus herdeiros.

Dessa forma, quando Luís José Xavier François de France nasceu, o Palácio de Versalhes brilhou com o mais novo príncipe da França. De tão esperado, ele recebeu o título de Delfim ainda criança e recebeu uma casa particular, para quando crescesse.

Enquanto Luís XVI estava aliviado por finalmente contar com um sucessor para seu trono, o irmão do monarca, o conde de Provence, ficou frustrado com o nascimento do sobrinho. Ele, afinal, arruinou suas esperanças de conquistar a coroa da França.

Retrato do rei LuIs XVI, da França / Crédito: Wikimedia Commons

 

Gentileza e fragilidade

Durante a primeira infância, Luís José demonstrou ser um menino carinhoso e bastante educado. Sempre descrito como uma criança inteligente demais para a sua idade, ele ficava sob os cuidados de Yolande de Polastron, a duquesa de Polignac.

Apesar de próximo da família, ele foi amamentado por Geneviève Poitrine, uma ama de leite, já que Maria Antonieta tinha outros assuntos para tratar. A enfermeira, mais tarde, foi acusada de transmitir tuberculose ao menino enquanto dava de mamar.

Por volta de abril de 1784, com apenas três anos, o gentil menino começou a demonstrar sinais de uma saúde muito frágil. No meio de uma tarde, ele atingiu um alto grau de temperatura e preocupou a todos com a febre repentina.

Retrato de Maria Antonieta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tratamentos alternativos

Preocupados com a condição da criança, Maria Antonieta e Luís XVI decidiram enviar o filho para o Château de La Muette. Na época, acreditava-se que o ar do local era composto por propriedades curativas, que tratariam da saúde de Luís José.

O pequeno herdeiro da França passou cerca de um ano se curando e retornou para o palácio, em março de 1785. Uma vez perto dos pais, ele foi submetido a um tratamento que induziu artificialmente sua imunidade contra a varíola.

No mesmo ano, Maria Antonieta deu à luz seu terceiro filho, que viria a ser Luís XVII. Ao mesmo tempo em que o novo herdeiro assumia seu posto na linha de sucessão, a saúde de Luís José parecia estar ainda mais frágil.

Retrato de Maria Teresa Carlota, a irmã de Luís José / Crédito: Wikimedia Commons

 

Saúde em pedaços

Quando já tinha cerca de cinco anos, as febres intensas do menino voltaram, mas, dessa vez, a enfermidade foi desconsiderada pela família. Em pouco tempo, a condição que parecia ser uma quentura insistente, logo se desdobrou para uma tuberculose.

Como os primeiros sinais da doença foram basicamente ignorados pelos nobres, a situação do menino ficava pior a cada dia, sem um tratamento específico. Em 1786, a educação de Luís José foi entregue aos homens, em uma cerimônia tradicional.

Durante o evento, contudo, os convidados perceberam que o herdeiro de Luís XVI mal conseguia caminhar. Mesmo muito pequeno, ele apresentava uma curvatura na coluna vertebral, que dificultava seus movimentos.

Maria Teresa e Luís XVII, irmãos de Luís José / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um fim amargo

Em janeiro de 1788, a tuberculose já havia progredido consideravelmente e as febres estavam cada vez mais frequentes. Com a saúde em frangalhos, então, o pequeno Luís José morreu, em 4 de junho de 1789, aos precoces 7 anos de idade.

Durante a Revolução Francesa, mais especificamente no período conhecido como Reino do Terror, o túmulo do menino foi profanado por ordem da Convenção Nacional. Sua memória, todavia, foi poupada das tragédias vividas pela família mais tarde.

Com o falecimento de Luís José, foi Luís XVII quem assumiu o posto de herdeiro direto. O pequeno duque, contudo, reinou por pouco tempo antes de morrer repentinamente, durante a Revolução Francesa.


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