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Música, violência doméstica e superação: a dura vida íntima de Tina Turner

Uma das cantoras mais aclamadas do cenário musical enfrentou um casamento de quase duas décadas repleto de agressões físicas e psicológicas, mas encontrou a paz ao deixar tudo para trás

Alana Sousa Publicado em 22/05/2021, às 07h00

Tina Turner na Suíça, em 2009
Tina Turner na Suíça, em 2009 - Getty Images

Músicas irreverentes, empoderamento feminino e símbolo de força. Tina Turner sempre foi imbatível em cima dos palcos. Se tornou uma estrela do rock no início da década de 1960 e desde então marcou seu nome na indústria musical.

No entanto, o que muitos viam da plateia de seus shows não correspondia com a vida infernal que a cantora levava nos bastidores, ao lado de seu maridoIke Turner. O homem foi o responsável por inserir Tina no mundo da música e também por lhe dar traumas que lhe machucaram tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Do auge ao inferno

Ike queria pegar para si tudo que Tina representava: seu nome, seu talento, seus ganhos financeiros com as canções. E assim o fez. Anna Mae passou a chamar Tina Turner, virou vocalista da Ike & Tina Turner e ajudou o parceiro a conquistar Grammys e o respeito de colegas da profissão.

A relação durou 16 anos, repleta de abusos físicos e psicológicos, como Tina lembrou em seu livro lançado em 2018, ‘Minha história de amor’. Espancamentos, obrigação de cantar e até mesmo café quente em seu rosto foram relatados na obra impactante.

Tina e Ike ainda jovens / Crédito: Wikimedia Commons

 

"A nossa vida juntos foi marcada por abuso e medo. (...) Num jeito perverso, os hematomas que ele me deu — um olho roxo, o lábio machucado, a costela trincada — eram marcas de posse. Uma maneira de dizer: 'Ela é minha e eu posso fazer o que eu quiser com ela'. Eu sabia que tinha que ir embora, mas eu não sabia como dar o primeiro passo. Nas horas mais difíceis, eu me convenci que a morte era o meu único caminho", escreveu.

Até reunir coragem para deixar sua vida com Ike para trás, quase duas décadas se passaram. Em meados de 1976, Tina decidiu que era preciso ir embora. Juntou alguns centavos que lhe restaram, pois, o marido havia gastado tudo em drogas e projetos individuais.

Ao sair de casa, sua cabeça estava inchada de tantas agressões, sem ter para onde ir, ela temia o futuro sozinha. “Eu saí do casamento sem nada e tive de fazer as coisas por mim mesma, para minha família, então eu voltei a trabalhar para me manter. Foi muito difícil e perigoso porque Ike era uma pessoa violenta e, naquele momento, usava drogas e estava muito inseguro. Eu não tinha dinheiro, eu não tinha para onde ir”, revelou Turner em entrevista ao The Jonathan Ross Show, da ITV.

Tina Turner durante concerto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dando a volta por cima

Por anos ficou na Europa, queria a maior distância possível de Ike, assim, cruzou o oceano. As gravadoras também não tinham interesse em investir na carreira solo de Tina, que enfrenta o machismo e racismo escancarado da época.

Foi apenas quase 10 anos mais tarde que seu nome voltou para as paradas de sucesso. Em 1984, lançou seu álbum de retorno, intitulado ‘Private Dancer’. Foi um sucesso tremendo, com um de seus hits mais memoráveis, ‘What's Love Got to Do with It’, ocupando o topo dos singles mais vendidos.

Ao longo das décadas seguintes, veio a estreia de mais álbuns aclamados, mostrando que Tina conseguia brilhar sem a presença de Ike. Provando seu talento e habilidade para seu público fiel.

Contudo, depois de muitos anos de sofrimento, hoje, com 81 anos, a americana prefere o sossego de sua casa na Alemanha, na qual desfruta de dias tranquilos ao lado do atual marido Erwin Bach.

Tina Turner e o marido Erwin Bach em 2015 / Crédito: Getty Images

 

Em entrevista ao jornal O Globo, em 2019, a cantora mostrou um pouco sobre sua nova realidade: “Não canto. Não danço. Não me arrumo”. Desde 2009, aproveita a aposentadoria; sua carreira foi encerrada de forma grandiosa, com a turnê “Tina! 50º Aniversário”.

“Eu simplesmente estava cansada de cantar e fazer todo mundo feliz. Foi tudo o que sempre fiz na vida”, disse ela. Agora, as preocupações são outras: redecoração da casa, casamento, tarefas simples e cotidianas.

Ao lado do parceiro há 36 anos, a relação em nada se parece com a que tinha com Ike. Bach até mesmo lhe doou um rim quando Turner passava por complicações de saúde. “Eu faria isso de novo”, garantiu o alemão, conforme repercutiu O Globo.

Após uma vida turbulenta, Tina não se considera forte, mas reconhece a resiliência que lhe permitiu ir em frente em meio a tantos obstáculos: “Não quero necessariamente ser uma pessoa 'forte'. Tive uma vida terrível. Apenas continuei. Você simplesmente prossegue e tem a esperança de que algo aconteça”.


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