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Neste dia, em 2011, ocorria o Massacre de Realengo, a tragédia que abalou o país

Há 9 anos, a Escola Municipal Tasso de Silveira sofria um terrível atentado a tiros e perdia 12 alunos

Wallacy Ferrari Publicado em 07/04/2020, às 11h51

A Escola Municipal Tasso de Silveira, rodeada de autoridades no dia do atentado
A Escola Municipal Tasso de Silveira, rodeada de autoridades no dia do atentado - Wikimedia Commons

Wellington Menezes de Oliveira, na época com 23 anos, não entrava pela porta da frente da Escola Municipal Tasso de Silveira, no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, desde 2001, quando concluiu o Ensino Fundamental II. 10 anos depois, o homem retornava com dois revólveres, de calibres .38 e .32, junto a uma cinta repleta de speedloaders, um tipo de carregador de munições de uso rápido. Iniciava, por volta das 8h00, uma das maiores tragédias do país.

Muito antes de entrar no colégio, Wellington já manifestava o desejo de interromper as atividades regulares do lugar que traumatizou a sua adolescência. Em diversas cartas e vídeos, relatou o bullying que sofreu durante os tempos de aluno na escola: “Muitas vezes aconteceu comigo de ser agredido por um grupo, e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria, sem se importar com meus sentimentos".

Adepto de chans e imageboards relacionados a assuntos extremistas, o homem encontrou refúgio em inspirações terroristas e decidiu que, somente com um ato violento, seria possível externar seus demônios. A partir de 2010, quando sua mãe, Dicéa, faleceu, Wellington passou a se informar sobre treinos de alvo, tiro e adquiriu ilegalmente as duas armas que portou no dia do crime. Sua carta de suicídio e seu perfil na rede social Orkut eram repletos de temas religiosos e passagens bíblicas, porém, com diversas referências ao islamismo.

Além da carta de suicídio, a Polícia encontrou dois vídeos do rapaz, contendo discursos com palavras desconexas, porém, enfatizando que o bullying que motivou o jovem: “A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem”. Além do assédio moral, o rapaz tinha um alvo em especial: as meninas, a qual atribuiu diversas dificuldades de convívio e relacionamentos durante a juventude.

Fotografia de Wellington encontrada em um dos computadores confiscados pela Polícia / Créditos: Divulgação

 

Todos os indícios de problemas psicológicos apresentados por Wellington em ocasiões anteriores ao fato levaram ao “dia final”, de acordo com o próprio rapaz. Ao entrar, pela secretaria, o homem, bem vestido e com uma postura educada, se apresentou como um palestrante e informou que já havia conversado com a professora. Liberado, subiu ao primeiro andar e entrou em uma aula de língua portuguesa, com a professora Leila D’Angelo, sem pedir permissão.

A violência no ataque

Calmamente, sacou uma arma em cada mão e, sem explicar a situação, começou a atirar nos alunos com alvos específicos. Os meninos recebiam tiros nos braços e pernas, porém, as garotas eram a prioridade de Wellington, atirando somente contra a cabeça das mesmas. Segundo outros alunos, presentes nos ataques, algumas vítimas foram cruelmente amedrontadas antes de morrer, com a arma sendo posicionada contra a testa.

Com a correria, o jovem conseguiu efetuar cerca de trinta disparos com o auxílio dos speedloaders, atingindo 12 alunos de idades entre 13 e 15 anos, sendo dez meninas e dois garotos. Após concluir a primeira leva de ataques na sala, o homem se direcionava ao corredor, onde efetuou mais disparos, porém, nas escadas, foi detido por militares que avistaram uma criança fugindo da escola com o corpo ensanguentado.

Ao entrarem no colégio, os policiais do Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário e Urbano avistaram o atirador se deslocando entre as escadas do edifício. Após ser atingido na perna e no abdômen pelo sargento Márcio Alves, Wellington caiu na escada que dava acesso ao segundo andar, enquanto um deslocamento massivo de crianças ocorria. Foi então que, ao invés de prosseguir com o tiroteio, disparou um único tiro contra a têmpora, falecendo no mesmo instante.

O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes na quadra do colégio / Créditos: Wikimedia Commons

 

Presidente do Brasil na ocasião, Dilma Rousseff evitou discursar tomada pela emoção, decretando luto oficial com a duração de três dias. O governador e o prefeito do Rio de Janeiro se reuniram no ginásio do colégio e homenageou as crianças e os policiais que interromperam o ataque: “Sem eles, a tragédia teria sido maior”, disse Sérgio Cabral. A prefeitura homenageou os falecidos no ataque nomeando doze creches do município com os nomes das vítimas.


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